Narciso fez uma pausa e preparou-se para trocar para o seu segundo figurino.
Ele caminhou a passos largos na direção deles.
— Irmão mais velho, o que faz por aqui?
Ele aproximou-se de Alícia e, num gesto natural, passou o braço pelos ombros dela, como se fossem grandes parceiros.
O olhar sereno de Nelso desviou-se suavemente do ombro de Alícia.
— É o seu primeiro trabalho desde que se machucou, vim dar uma olhada. Está tudo bem?
— Melhor, impossível. — Os dedos dele deram leves batidinhas no ombro da garota.
Compreendendo o recado instantaneamente, Alícia tirou a garrafa térmica da bolsa, abriu a tampa e levou-a aos lábios dele.
Com preguiça de segurá-la, Narciso simplesmente inclinou a cabeça e tomou alguns goles pelo canudo.
Alícia esperou que ele terminasse, fechou a tampa e guardou a garrafa de volta na bolsa.
Narciso ficou bastante satisfeito com a eficiência dela e, sorrindo para Nelso, perguntou:
— O que achou da minha assistente por um dia?
Nelso lançou um olhar para Alícia.
— Muito boa.
Enquanto Narciso ia ao vestiário para se trocar, Alícia sentou-se perto da lareira, comendo uma batata-doce assada com uma colher.
A temperatura começava a esquentar lentamente. A previsão do tempo indicava que, a partir da próxima semana, a Cidade Linvar se despediria do inverno.
Dentro do vestiário, o estilista ajustava a roupa de Narciso.
Ele olhou para Nelso, que estava sentado no sofá folheando distraidamente uma revista.
— Pode ir cuidar das outras coisas — disse ele ao estilista.
Somente após a saída do profissional, Narciso caminhou até o sofá e sentou-se.
Ele abriu as pernas, adotando uma postura completamente relaxada e imponente.
— Qual é o assunto tão urgente que exigiu que você viesse pessoalmente?
— Se eu te contar, você não vai acreditar, e se não vai acreditar, é melhor nem perguntar. — Nelso nem sequer olhou para ele.
— É por causa da Alícia? — Narciso pressionou a ponta da língua contra o céu da boca.

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