No instante em que o pequenino finalmente conseguiu se virar, a mão larga de Kylen, coberta pelo traje de isolamento, amparou suavemente a nuca dele.
O garotinho ficou de bruços na beirada da cama, erguendo a cabeça para olhar Kylen.
Seus olhos grandes e redondos se curvaram em um sorriso, e uma vozinha fraca e doce murmurou:
— Pa...
— Sim, é o papai. — Kylen acariciou a cabecinha redonda dele e, em seguida, o tomou nos braços.
Ele tocou os dedinhos da criança em seu colo, depois seus pezinhos. O menino mantinha os grandes olhos escuros fixos nele, balançou as mãozinhas duas vezes antes de deixá-las cair, sem forças.
Com uma expressão inocente e confusa, ele não conseguia entender por que não sentia o toque da pessoa que o abraçava.
Ao perceber isso, Kylen segurou a mãozinha dele e a pressionou contra o próprio peito, por cima da roupa de isolamento.
Talvez o garotinho tenha sentido as batidas fortes do seu coração, pois um leve brilho surgiu naqueles grandes olhos redondos.
A voz doce e exausta chamou novamente:
— Pa... pai.
Kylen o observou em silêncio, acariciou mais uma vez sua cabecinha e então pegou a mamadeira da mão da enfermeira para alimentá-lo.
Os movimentos do homem eram experientes, e o pequenino sugava o bico da mamadeira com todo o esforço que conseguia reunir.
Contudo, estava fraco demais e acabou adormecendo antes mesmo de terminar o leite.
Uma de suas mãozinhas apoiava a mamadeira, enquanto a outra agarrava com firmeza o traje de isolamento de Kylen.
A mão que segurava a mamadeira escorregou lentamente, mas a que apertava a roupa do pai não se soltou por um longo tempo.
Kylen não forçou para abri-la, apenas continuou a segurá-lo.
A cabeça da criança repousava contra o peito dele, dormindo com profunda tranquilidade.
Não havia tremores nos membros, nem testas franzidas, murmúrios ou soluços de pesadelos.
O semblante de Kylen suavizou-se.
A equipe médica e Vinicius, que estava ao lado também vestindo um traje de isolamento, soltaram um suspiro de alívio.


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