— É verdade. Se eu estivesse com Narciso, ele jamais me obrigaria a fazer o que não quero, muito menos me colocaria em perigo.
— Que perigo pode haver em estar comigo? — perguntou Kylen, com a voz grave.
Alícia não queria mais gastar saliva com ele e debateu-se com força. Aquela postura, sentada de lado, acabava dando espaço para que ela usasse as pernas.
No entanto, quando ela tentou chutar Kylen, ele pareceu antecipar o movimento. Segurando os joelhos dela, ele fechou as próprias pernas, prendendo firmemente as pernas agitadas da mulher.
No instante em que ela ergueu a mão para golpeá-lo, ele agarrou seu pulso e, abaixando a cabeça, encostou a própria testa na dela.
Cortando pela raiz qualquer intenção que ela tivesse de lhe dar uma cabeçada.
— Eu não vou deixar que você corra perigo.
Era uma promessa feita com uma voz grave e magnética, mas, no coração de Alícia, só havia espaço para o escárnio.
Incapaz de se desvencilhar do aperto do homem e diante daquele rosto frio e severo a centímetros de distância, ela fechou os olhos e calou-se.
Aos poucos, percebeu que a velocidade da lancha diminuía até parar por completo, balançando à deriva ao sabor das ondas.
A mudança repentina fez com que ela abrisse os olhos.
De onde estavam, não se via nenhuma construção, nem mesmo a pequena ilha de antes.
Era como se, entre o céu e o mar, restasse apenas aquela lancha.
Contudo, assim que abriu os olhos, deparou-se com o olhar negro e insondável de Kylen.
— Agora somos só nós dois aqui — disse ele, com a voz rouca.
De repente, uma onda enorme chocou-se contra a embarcação, fazendo-a balançar violentamente. Alícia, forçada a continuar sentada de lado no colo de Kylen, foi jogada de um lado para o outro. Quando o corpo dela pendeu em direção ao peito dele, Kylen afrouxou o aperto dos braços.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!