Alícia Serra chegou à varanda e não sabia mais para onde ir. Ficou ali parada enquanto uma rajada de vento trazia várias sementes de dente-de-leão. Sem ter o que fazer, estendeu a mão para aparar uma delas.
Era o tipo de coisa que só uma criança faria. Realmente, quando se estava entediado, era capaz de qualquer coisa.
Então, ouviu a voz fria do homem soar atrás de si.
Não soube se a ponta dos seus dedos tremeu ou se foi apenas o vento, mas a semente de dente-de-leão voou para longe.
Ele havia cumprido a promessa — responderia à pergunta que ela tanto queria fazer após a refeição.
De qualquer forma, já estava naquela ilha. Não tinha como fugir nem se esconder de Kylen Lourenço. Uma luta em vão só a deixaria exausta. Era melhor arrancar logo aquele "nó" do peito, para que, no futuro, pudesse ao menos morrer sabendo da verdade.
Aquela frase repentina fez com que ela sentisse, de forma inexplicável, uma corrente elétrica atravessar seu coração, deixando sua espinha completamente dormente.
Após recuperar o fôlego, ela respondeu sem olhar para trás:
— Eu não quero saber disso. Por quem você tem uma preferência especial é problema seu. O que isso tem a ver comigo?
Bela frase, "o que isso tem a ver comigo".
Kylen segurava o copo de leite que ela havia deixado pela metade. Sua mão apertou o vidro com um pouco mais de força, e sua voz soou grave:
— Então, o que você quer perguntar?
Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, Kylen pegou a mão dela e enfiou o copo de leite ali.
Ao tocar as pontas dos dedos levemente frias da mulher, o homem franziu a testa de leve.
Alícia, porém, segurou o copo e deu um passo para trás, distanciando-se dele, como se ficar perto por mais alguns segundos lhe causasse um desconforto físico.
Os lábios finos de Kylen se comprimiram. Seu olhar, sempre tão frio, revelava agora um traço de irritação, enquanto ele ordenava em tom grave:
— Fale.
Alícia apertou o copo de leite nas mãos e encostou-se no pilar de pedra da varanda. A brisa do mar bagunçou os fios de cabelo que caíam soltos pelo seu rosto.
Ouvir as palavras "destruiu todas as provas" deixou Kylen inexplicavelmente desconfortável.
Ele franziu o cenho e explicou:
— Foi um casamento falso. Você já viu algum agente disfarçado usar o próprio nome? E sem o nome verdadeiro, como alguém faria um registro oficial?
Outro casamento falso!
Fazia sentido. Ela mesma já havia sido uma agente disfarçada, como pôde ser tão ingênua em relação a isso? Kylen certamente usara um nome falso durante a missão.
Mas ouvir as palavras "casamento falso" foi como uma agulha perfurando seus nervos, estourando sua razão e compostura como se fossem um balão.
Ela soltou uma risada fria.
— O Diretor Lourenço é realmente um especialista em casamentos falsos. Não é à toa que lida com isso de forma tão magistral.

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