— Tudo o que tivermos para conversar, falaremos depois de comer. — As pontas dos dedos de Kylen afastaram os cabelos longos que caíam sobre os ombros dela, ajeitando-os para trás. Em seguida, sua mão desceu, segurando com firmeza o pulso de Alícia.
De novo!
Ele estava fazendo isso de novo!
— Esquece, não faço tanta questão assim de saber. — Ela puxou o braço com força, tentando se soltar.
No entanto, a força de Kylen era esmagadora; mesmo sem apertar com violência, ela não conseguiu escapar.
— Se não quer saber, tudo bem, mas você ainda precisa comer. — Um traço quase imperceptível de diversão cruzou o olhar de Kylen.
Ele virou o rosto para observá-la, com os olhos fixos nos fios de cabelo que a brisa do mar voltava a bagunçar.
O pulso dela estava vazio, sem nenhum elástico de cabelo.
Kylen olhou ao redor.
Ele arrancou uma pequena flor de tom lilás à beira do caminho. O caule verde era fino e alongado, mas bastante resistente.
Ele se posicionou ao lado de Alícia e, no instante em que soltou seu pulso, ela ameaçou fugir como um coelho escapando da gaiola.
— A ilha inteira está cheia de homens meus. Para onde acha que vai fugir?
— Para qualquer lugar, desde que não seja com você. Posso muito bem me jogar no mar, que tal?!
— Quer nadar?
Foi como socar o vazio. Alícia sabia que Kylen estava agindo daquela forma de propósito.
— Ridículo! — disparou ela com frieza.
Percebendo que ela ainda planejava escapar, Kylen deu passos largos para alcançá-la.
— Venha aqui.
Ele a puxou de volta para si mais uma vez.
— Mesmo se eu te desse mil metros de vantagem, você não conseguiria me vencer. No fim, eu sempre vou te pegar de volta.
A brisa marítima ergueu os cabelos compridos dela, jogando-os contra seus olhos. Exasperada, ela levantou a mão, mas dedos longos e elegantes foram mais rápidos, guiando os fios rebeldes para trás.
Kylen usou o caule da pequena flor lilás para prender os cabelos dela, impedindo que o vento os bagunçasse de novo.
— Você disse que se eu viesse passar dois dias aqui com você, aceitaria conversar a sério comigo. Era mentira, não era?
O aperto ao redor do pulso dela se intensificou por um segundo.
— Se você não tentar fugir nem causar problemas, não será mentira. — respondeu o homem com um tom sereno.
De novo!
Alícia não queria mais gastar saliva com ele. Em silêncio, ela o seguiu até se aproximarem do casarão.
Do avião, ela só tinha visto a fachada da construção, mas, agora de perto, notou que o lugar era quase do mesmo tamanho que o prédio principal do Jardim Sombrio, além de ser visualmente muito semelhante.
Não era de admirar que, ao olhar lá de cima, tivesse sentido uma sensação de familiaridade.
Do lado de fora, dois guarda-costas faziam a vigilância, e, ao lançar um olhar para dentro, identificou logo de cara duas governantas.
Apesar de tudo parecer perfeitamente em ordem, algo lá no fundo a incomodava.
Foi apenas quando se sentou à mesa de jantar que percebeu exatamente o que estava faltando.

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