— Não importa quem seja, não é da sua conta. — Após proferir essas palavras frias, Vinicius desligou o telefone.
O céu escureceu. Com o fim de janeiro, as festividades de Ano Novo na Cidade Linvar já haviam ficado para trás.
Não se ouviam mais os estampidos dos fogos de artifício pelas ruas e vielas, e um silêncio pós-feriado pairava por todos os cantos.
A casa na Mansão Ocidental, em especial, encontrava-se tão sombria quanto um túmulo.
A mente de Yolanda estava inundada pelas palavras de Vinicius.
Seus pensamentos ficaram caóticos, mas, após algum tempo, ela conseguiu ordenar as ideias.
Durante todo aquele tempo, as coisas eram exatamente como ela suspeitava: Kylen estava interessado apenas no sangue dela, ou em algo relacionado a ele.
Agora que ele encontrou alguém mais compatível, ela não passava de uma peça descartada!
Diante dessa constatação, Yolanda pareceu perder os sentidos. Entorpecida e rígida, ficou encarando a tela escura do celular antes de ligar novamente para Vinicius.
Ninguém atendeu!
— Ah! — Em um ataque de fúria, Yolanda atirou o telefone no chão.
Escondeu o rosto entre as mãos e chorou.
Por que as coisas terminaram assim?
Ela só queria um pouco da atenção de Kylen. Bastava que ele demonstrasse o mínimo de afeto, e ela...
De repente, o som do motor de um carro ecoou no pátio exterior.
É o Kylen!
Yolanda baixou as mãos de imediato, uma luz de esperança acendendo-se em seus olhos vermelhos e banhados em lágrimas.
— Rápido, empurre-me lá para fora! — Rindo em meio ao pranto, ela pressionou os botões no apoio de braço da cadeira de rodas e, achando o movimento lento demais, ordenou à cuidadora.
Contudo, no portão do pátio, os seus guarda-costas interceptaram o veículo.
A placa do carro foi obstruída pela figura do segurança.
No entanto, bastou um olhar para que Yolanda percebesse que aquele não era o carro de Kylen.
Não era o Kylen.
Se tivesse poder para isso, provavelmente já comandaria toda a Cidade Linvar.
No entanto, ao ouvir o tom autoritário de Yolanda, ele foi instantaneamente transportado para o passado. Lembrou-se de como Jackson costumava prendê-lo pelo pescoço, batendo implacavelmente em sua cabeça enquanto ria e dizia: "Sua esposa vai dormir comigo esta noite."
Era o mesmo tom arrogante.
— Com que tom você acha que está falando comigo?! — O rosto dele avermelhou-se de fúria.
— Você não conseguiu descobrir. — zombou Yolanda, decifrando a situação num instante ao observá-lo tomado pela raiva oriunda da vergonha.
Um homem que só sabe se enfurecer por sua própria incompetência. Que fracassado inútil.
Miguel rebateu com hostilidade:
— Por que você mesma não pergunta? Você não vive dizendo que o Kylen a valoriza tanto? Ah, eu me esqueci... todos aqueles boatos que circulam por aí foram espalhados por você. É tudo mentira.
Ele chutou a roda da cadeira dela com a ponta do sapato e alfinetou:
— A única coisa que te resta é aquele favor por ter salvo a vida dele.
— Continue investigando. — ordenou Yolanda, respirando fundo, com o rosto pálido de fúria por aquela frase ter atingido o seu ponto fraco.

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