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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 324

O carro estacionou em frente ao prédio.

Hélder e Alícia tiraram as compras do porta-malas, coisas que haviam adquirido para Lúcio. Hélder pegou todas as sacolas e seguiu atrás de Alícia, que ainda usava os óculos escuros.

— Eu continuo achando que deveríamos mandar uma mensagem para o Irmão J agora mesmo. — Hélder insistiu ao apertar o botão do elevador. — Sra. Serra, o Irmão J é um homem feito. Vai que a gente pega ele sem camisa...

Alícia tirou os óculos escuros.

— Você tem razão. Precisamos avisar primeiro.

O elevador chegou. Alícia deu um passo à frente e entrou, com Hélder logo ao seu lado.

Hélder a observava, apenas para vê-la parada como uma estátua diante da porta, sem o menor sinal de que pretendia mandar o aviso.

Afinal, a Sra. Serra ia ou não avisar?

O elevador alcançou o andar de Lúcio, e os dois saíram.

Foi somente ao parar diante da porta do apartamento que Alícia sacou o celular e enviou uma mensagem de WhatsApp para Lúcio.

Ficaram esperando por cinco minutos, sem que ninguém viesse abrir. Foi então que o elevador que tinham acabado de usar apitou. As portas se abriram, e Hélder lançou um olhar alerta naquela direção.

Vestido de preto, usando um boné escuro e uma máscara, Lúcio se apoiava em uma muleta. Sua perna direita estava engessada, e ele dava passos curtos e dolorosos. Na mão livre, segurava uma sacola de supermercado que balançava a cada movimento.

Alícia congelou.

— Irmão J! — Hélder soltou as sacolas no chão imediatamente e correu até ele. Assim que se aproximou, o cheiro forte de pomada analgésica invadiu suas narinas. — Maldito Vinicius! Aquele desgraçado te deixou nesse estado!

Ainda que o Irmão J não fosse nenhum grande chefe do crime com dezenas de capangas, ele nunca havia passado por tamanha humilhação. A forma como saiu daquele elevador exalava uma solidão de partir o coração.

Maldito Vinicius!

Ele pegou a sacola das mãos de Lúcio, com os olhos transbordando preocupação.

— Tem mais algum lugar machucado?

[Não precisa. Não estou acostumado a ser cuidado por outras pessoas.]

— E como ficam as suas refeições? — Hélder não estava nem um pouco convencido. — Eu sou um desastre na cozinha, mas posso pedir comida de restaurante. O problema é que você mal consegue se virar sozinho. Já sei! Eu fico e cuido de você. Eu não sou qualquer pessoa, afinal de contas.

Lúcio digitou a senha na fechadura digital bem diante deles.

A porta se abriu.

O interior era impecável, sem um único grão de poeira. A decoração em tons de preto, branco e cinza trazia um ar minimalista e sofisticado, mas também transmitia uma frieza cortante, sem o menor vestígio de calor humano.

Alícia observou em silêncio o refúgio daquele solteirão convicto.

Na sapateira, havia apenas um par de chinelos masculinos tamanho quarenta e três.

Hélder já ia ceder os chinelos para Alícia, acreditando que o Irmão J não seria tão mesquinho a ponto de não oferecê-los à Sra. Serra. No entanto, Lúcio foi mais rápido, calçou os chinelos e digitou no celular:

[Alícia pode ficar de sapato. Hélder, tire os seus.]

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