Yolanda estava no pátio praticando caligrafia com pincel na época. Ao abrir a mensagem, segurava o pincel com uma mão enquanto deslizava a tela com a outra.
Quando viu claramente no vídeo que a pessoa nos braços de Kylen era Alícia, o pincel em sua outra mão quebrou-se em dois pedaços.
Com um estalo seco, a haste caiu no chão, levemente manchada de sangue.
— Como esse pincel se quebrou? Sra. Arantes, a sua mão está bem? Meu Deus, está sangrando. — exclamou a governanta, correndo apressada ao ouvir o barulho.
— Não é nada. — disse Yolanda com um leve sorriso, olhando sem demonstrar qualquer emoção para a palma da mão, onde a madeira lascada a havia perfurado e revelava algumas gotas de sangue.
Ela puxou casualmente dois lenços de papel e limpou o sangue.
No jantar, Yolanda comeu apenas um pouco e perdeu o apetite. Pousou os talheres e, por mais que a governanta insistisse, não tocou em mais nada.
— O Diretor Lourenço se preocupa tanto com a sua saúde. Coma mais um pouco, pelo menos por consideração a ele. — sugeriu a governanta, hesitando por um momento.
Agora, ela já não ousava falar com tanta convicção. Afinal, o Diretor Lourenço não visitava a Sra. Arantes há muitos dias. Embora antes ele também não viesse com frequência, desta vez sentia que havia algo de errado.
— Kylen se preocupa comigo? — murmurou Yolanda para si mesma.
— Sim, o Diretor Lourenço se preocupa com a senhora. — assentiu a governanta.
— Se preocupa comigo...
...
Dias depois, as portas da sala de conferências do Grupo Financeiro Lourenço se abriram. Kylen lançou um olhar gélido para os executivos ali presentes.
Eles mal haviam começado a relatar o andamento do projeto quando o celular de Kylen, deixado sobre a mesa, tocou.
Era o segurança da Mansão Ocidental.
— Já a levaram para o hospital? — perguntou Kylen com sua voz fria e indiferente ao atender a chamada, sem se importar com o que diziam do outro lado da linha.
— Já estamos a caminho do hospital. — respondeu o segurança.
A governanta não suspeitou de nada e virou-se para arrumar algumas coisas. A Sra. Arantes havia tido uma tontura repentina e desmaiado, forçando-os a correr para o hospital sem trazer quase nada, então as poucas coisas que tinham foram organizadas rapidamente.
Na manhã seguinte, após a ronda médica.
— A propósito, onde está o meu xale bege? — indagou Yolanda.
— Viemos com tanta pressa que não o trouxe. — explicou a governanta.
— Está esfriando. — Yolanda cruzou os braços para se aquecer. — Volte em casa e busque para mim. Aproveite e veja se há mais alguma coisa que eu precise, e traga tudo de uma vez.
— Se eu for, como a senhora vai ficar? — A governanta também estava pensando nisso, mas não se sentia tranquila.
— Não temos as enfermeiras? Você só vai em casa buscar algumas coisas, não vai demorar. — disse Yolanda docemente.
— Está bem, então.
Ao observar a governanta sair do quarto, Yolanda curvou os lábios num sorriso sutil. Aquela tola, de vez em quando, ainda se mostrava bastante útil.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!