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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 293

Os fragmentos de memória antes do desmaio foram se encaixando aos poucos. O pé da barriga latejava com uma dor incômoda.

Ao virar o rosto, deparou-se com alguém sentado no sofá do quarto. O homem estava encostado, e não dava para saber se apenas descansava os olhos ou se dormia.

Seus lábios finos estavam ligeiramente comprimidos; com a cabeça levemente inclinada para trás, a linha do maxilar marcante e bem definida lembrava a obra-prima de um escultor.

Houve uma época em que ela era perdidamente apaixonada por aquele rosto.

O desconforto no ventre ia e vinha em ondas. Ela franziu a testa ao sentir, logo em seguida, leves fluxos quentes descendo do baixo ventre.

Num instinto automático, virou-se de lado, pronta para se levantar. O movimento na cama despertou o homem no sofá.

Assim que abriu os olhos e a viu afastando o cobertor para sair da cama, o olhar de Kylen obscureceu.

Ele se levantou, aproximou-se da cama e segurou a beirada da coberta que ela afastava.

— É tão difícil assim olhar para mim?

Alícia mordeu os lábios. Kylen claramente havia interpretado mal a situação. Sendo mulher, ela sabia muito bem o que era aquele fluxo quente; só queria se levantar depressa para evitar manchar a roupa e os lençóis do hospital.

Ele pensara que ela estava desesperada para ir embora.

Mesmo assim, ela não se deu ao trabalho de explicar. Apertou o cobertor com as mãos e, de cabeça baixa, tentou calçar os sapatos.

No entanto, sentia-se confusa: não havia menstruado dias atrás?

Achou que já tivesse acabado. Por que a hemorragia voltara?

Pelo visto, precisaria cuidar seriamente da saúde assim que aquele ciclo acabasse.

De repente, mais um jato quente desceu.

Dessa vez, notou com clareza que havia algo forrando a sua roupa íntima.

Sobressaltou-se. Quem tinha colocado o absorvente nela?

Kylen não deixou escapar nenhum dos seus pequenos gestos, incluindo a forma como ela se mexeu inquieta na cama, parecendo lidar com algum incômodo ou dor abdominal.

Ele comprimiu os lábios antes de perguntar:

— Eu não coloquei direito?

A mente de Alícia entrou em pane. Tinha sido ele mesmo!

Naquele instante, Vinicius bateu à porta e entrou.

Ele trazia uma xícara de chá quente e, ao notar que Alícia havia despertado, abaixou levemente a cabeça em respeito.

— Você não tem nenhuma obrigação ou dever de pagar pelas minhas despesas médicas. Não é natural que eu te devolva o dinheiro? — retrucou Alícia, encarando-o com indiferença.

— Sem obrigação, sem dever? — Kylen repetiu as palavras dela, reprimindo outras emoções no fundo do seu olhar sombrio.

Os olhos de Alícia começaram a arder. Ter sido enganada por três anos quase a fizera perder a razão. As cólicas ficaram cada vez mais intensas, forçando-a a se apoiar na barra da cama para não cair.

Kylen franziu a testa e estendeu a mão para ampará-la.

— Não encoste em mim! — gritou ela rispidamente. Seus olhos, antes apenas marejados, ficaram vermelhos num piscar de olhos.

Consumida pela humilhação, tremia de forma incontrolável enquanto exigia, com a voz embargada:

— Kylen, por que você me enganou?

— Nesses três anos, você me fez acreditar que eu era realmente a Sra. Lourenço. Foi divertido brincar comigo desse jeito?!

Então era isso.

Era a isso que ela se referia ao falar de sem obrigação, sem dever.

O semblante de Kylen escureceu gradualmente.

— Você entrou com o pedido de divórcio?

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