A caminho do local, Alícia estudou as informações com antecedência. Aquele trabalho havia caído de paraquedas em seu colo e, até então, ela não tinha muita familiaridade com o assunto.
Antes de descer do carro, repassou os detalhes mais uma vez, conseguindo memorizar a maior parte.
Ao pisar na rua, sentiu o estômago embrulhar e uma tontura súbita a atingiu; não sabia se era apenas enjoo da viagem.
— Alícia, você está bem? — perguntou o colega, observando com preocupação a sua palidez.
— Acho que enjoei um pouco no carro, só preciso descansar um instante — respondeu Alícia.
Como o congresso ainda não havia começado, ela procurou uma cadeira num canto isolado para se recuperar. O colega lhe trouxe um copo de água e, após beber um gole, ela se sentiu um pouco melhor.
Nesse momento, uma voz respeitosa ecoou da entrada principal do salão:
— Diretor Lourenço, por aqui, por favor.
A mão de Alícia gelou ao redor do copo. Ao erguer os olhos, viu o homem entrar pela porta, cercado por uma comitiva que o bajulava como se ele fosse o centro do universo.
Kylen vestia um terno escuro com uma estampa sutil. Com um olhar frio e distante, caminhava pelo salão com passos lentos e imponentes.
Desde o dia em que Nelso havia feito aquele acordo com ele, Kylen não a procurara mais, e ela também não o vira.
Em uma metrópole como Cidade Linvar, a probabilidade de duas pessoas que não vivem juntas se esbarrarem era, de fato, muito baixa.
Se não tivesse aceitado aquela cobertura jornalística, jamais teria cruzado com ele.
Alícia desviou o olhar, tirou uma máscara do bolso e a colocou no rosto.
Cercado por várias pessoas, o olhar de Kylen recaiu sobre ela no exato instante em que colocava a máscara, notando o seu semblante abatido.
Alícia deu uma olhada na lista de convidados do congresso que tinha em mãos; o nome de Kylen não estava lá.
Embora não fizesse ideia do que ele estava fazendo ali, decidiu ignorá-lo e fingir que ele não existia.
Com esse pensamento em mente, seguiu o colega e tomou seu lugar na área reservada à imprensa.
Pouco tempo depois, sentiu uma vontade urgente de ir ao banheiro e avisou:
No banheiro.
Alícia saiu da cabine ofegante, sentindo o mundo girar ao seu redor.
Caminhou até o espelho e apoiou uma das mãos na pia enquanto, com a outra, tirava a máscara. Seu rosto estava terrivelmente pálido e o suor frio continuava a escorrer por sua testa.
Agora, não tinha mais dúvidas de que estava doente.
Apenas o esforço de lavar as mãos a deixou sem ar. Precisava sair dali rapidamente; se desmaiasse no banheiro e ninguém entrasse, a situação poderia ficar muito perigosa.
Com muito custo, conseguiu sair do banheiro. No instante em que seu corpo estava prestes a ceder, ela se apoiou firmemente na parede. Uma dor lancinante no ventre, como se estivesse sendo esfaqueada, a fez se curvar incontrolavelmente.
Sentiu um fluxo quente descer do seu ventre.
Sem forças para continuar se apoiando, sua mão escorregou e ela desabou no chão.
Antes de perder a consciência, viu o rosto tenso de um homem diante de si. No segundo seguinte, seu corpo foi acolhido por braços largos e quentes, e então, tudo escureceu.

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