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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 284

— A Família Simões não vai atrás de Yolanda, e você para de assediar a Alícia.

Alícia, que já havia chegado à van executiva, parou bruscamente ao ouvir essas palavras. Virou-se para observar os dois homens negociando no meio da estrada.

Exatamente após Nelso terminar a frase, Kylen virou a cabeça e olhou na direção dela.

Os traços do rosto do homem eram marcantes e profundos. Com a visão recuperada e sem a barreira das lentes dos óculos, seus olhos exibiam a frieza cortante de uma fera predadora, espreitando silenciosamente sob a noite, aguardando o momento exato de dar o bote.

A luz dos altos postes da avenida filtrava-se pelos galhos nus das árvores, banhando-o, mas nem um pingo daquela claridade penetrava seus olhos.

O olhar dele talvez tenha pousado nela por um milissegundo, ou talvez tenha sido apenas um vislumbre fugaz antes de ser desviado.

Perto da porta do carro, Hélder falou para avisá-la:

— Sra. Serra, está frio lá fora. Entre no carro, Narciso está lá dentro.

Ela voltou a si, pisou no estribo e subiu no veículo.

Hélder entrou logo atrás e fechou a porta.

O aquecedor estava ligado no interior da van. Alícia avistou imediatamente Narciso deitado, coberto por uma manta, com o rosto pálido e os lábios sem cor.

Ao vê-la, Narciso sorriu.

Parecendo não ter forças nem para sorrir, forçou o canto da boca e disse fracamente:

— Que cara é essa? Venha cá.

— O médico te deu alta para você estar aqui?

— Eu pedi licença.

Uma licença divina, com certeza!

Alícia se aproximou e sentou-se ao seu lado. Puxou a manta até o peito dele com a delicadeza de quem cuida de uma criança.

De repente, Narciso segurou sua mão direita. O sorriso sumiu de seus olhos, substituído por uma expressão fria:

— O que aconteceu com a sua mão?

O curativo enrolado em volta de seu polegar havia sido claramente feito por alguém experiente.

Se contasse que Kylen atirara para desarmá-la, rasgando a pele de sua mão devido ao tranco da arma, Narciso sem dúvida arrastaria seu corpo ferido em busca de vingança contra Kylen.

Mais um resgate na sala de cirurgia, e a vida de Narciso chegaria ao fim.

Alícia balançou a cabeça. Recordando as palavras recém-ouvidas, cravou o olhar em Narciso:

— Aquele acordo que o Nelso propôs ao Kylen... De quem foi a ideia?

Quando ela encarava alguém daquele jeito, emitia uma aura de pura opressão. Até mesmo Hélder, ali ao lado, não ousava respirar forte.

Narciso a observou, o pomo de Adão movendo-se na garganta:

— Foi minha.

Eu sabia!

O turbilhão de emoções fez seus olhos marejarem descontroladamente:

— Você não quer que me maltratem, mas eu tenho que ficar de braços cruzados vendo você engolir a seco todo esse prejuízo?

— Que prejuízo o quê? Isso é só uma tática. Espere e verá. Um dia eu acabo com aquela Yolanda. — Como havia falado de modo entusiasmado, Narciso repuxou o ferimento no abdômen. Puxou o ar com força, ficando ainda mais pálido.

— Não se agite. Se a ferida abrir, vai ter que levar pontos de novo. — Alícia segurou seus ombros inquietos, com voz severa. — Mas eu não quero que passe por uma injustiça dessas por minha causa.

Kylen não a havia impedido. Seria um sinal de que ele havia concordado com a troca proposta por Nelso?

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