Alícia desmaiou de dor abdominal.
Quando abriu os olhos e acordou, descobriu que estava deitada em uma cama de hospital.
Julian Gonçalo, ao vê-la acordar, apoiou as mãos nos dois lados do travesseiro dela, usando um tom de voz suave para não assustá-la:
— Como está se sentindo agora?
O olhar de Alícia ainda estava um pouco vago. Ela olhou para Julian, levando alguns segundos para resgatar os pensamentos armazenados no cérebro e retirá-los da avenida arborizada do Jardim Sombrio.
— Como eu...
— Deve ser uma reação de estresse pós-traumático. — Julian ouviu um resumo rápido de Hélder.
Na última vez em que Alícia foi sequestrada, Hélder atendeu a ligação que Julian fez para ela. Os dois já haviam interagido, e Hélder sabia que Julian era amigo de Alícia e, acima de tudo, um cavalheiro. Por isso, Hélder confiava nele.
Os cílios de Alícia tremeram algumas vezes.
Trauma mental...
Ela?
Que trauma ela poderia ter?
Ela apenas descobriu a verdade, soube que entre ela e Kylen não havia mais possibilidade alguma — embora já tivesse decidido ir para o exterior, nunca pensou em se envolver com ele novamente.
Ao pensar em Kylen, sentiu novamente uma dor surda na barriga.
Julian a cobriu com o cobertor.
— Você só está com os nervos muito tensos. Durma bem.
— Quero ir para casa — disse Alícia com a voz rouca.
Hélder, ouvindo isso, aproximou-se imediatamente.
— Certo, Sra. Serra, vou levá-la de volta agora mesmo.
Depois que Hugo morreu, a frequência diminuiu muito. Mais tarde, treinando luta com Lúcio Sequeira, ela ficava tão exausta todos os dias que nunca mais precisou de remédios para pegar no sono.
Mas esta noite ela sabia que não conseguiria dormir.
Ela precisava manter um bom vigor físico para treinar luta com Lúcio e se proteger, para, como ela mesma disse, desaparecer do mundo de Kylen.
Mas ontem à noite Julian disse que seus exames físicos não mostravam problemas. A dor abdominal era uma reação psicossomática ao trauma?
Ela se lembrava de quando pediu ao médico para prescrever pílulas para dormir pela primeira vez; o médico lhe dera algumas recomendações de forma muito sutil.
Embora fosse sutil e implícito, ela sabia que o médico falava sobre tendências depressivas e manifestações somáticas.
No dia seguinte, quando acordou, havia uma mensagem não lida no WhatsApp, recebida meia hora antes.
Yolanda havia enviado uma foto.
A luz do sol entrava pelas frestas da cortina entreaberta do quarto do hospital. No sofá, um homem de aura fria e nobre estava recostado de cabeça para trás, de olhos fechados. Parecia ter ficado ali a noite inteira.

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