O pulso de Alícia doeu com o aperto, e ela não pôde evitar franzir a testa.
Kylen a encarava com olhos profundos, lábios finos comprimidos, e uma sombra complexa pairava entre suas sobrancelhas franzidas.
Ele afrouxou um pouco a força no pulso dela, mas continuou segurando-a firmemente, sem dizer uma palavra, enquanto a guiava para longe da multidão caótica.
Vários SUVs pretos invadiram o centro do evento, derrubando as cadeiras dos convidados. O som de mesas e cadeiras sendo esmagadas misturava-se aos tiros, aos gritos de mulheres, ao choro de crianças e aos rugidos de homens furiosos.
Alícia, arrastada pelo pulso por Kylen em meio às balas perdidas, ouvia esses sons e via diante de si uma cena caótica que parecia um microcosmo de um campo de batalha.
Um grupo de homens mascarados vestidos de preto saltou dos carros e correu atrás dos convidados em fuga!
De repente, o cano escuro de uma arma apontou diretamente para Kylen e Alícia.
Um brilho assassino e gélido cruzou o olhar de Kylen.
Ao mesmo tempo em que puxava Alícia pelo pulso para trás de si, ele agarrou diretamente o cano da arma do oponente. No instante em que o homem puxou o gatilho, a força bruta de Kylen quebrou os dedos dele, e o cano da arma mudou de direção na velocidade de um relâmpago.
Com um estrondo, a bala atingiu o oponente bem no meio da testa.
Uma onda intensa de pavor tomou conta de Alícia, deixando seu rosto pálido. Pelo canto do olho, ela viu outro homem mascarado de preto correndo na direção deles.
A arma girou na mão de Kylen, cujos ossos dos dedos estavam proeminentes. Com um braço, ele envolveu a cintura de Alícia, trazendo-a para seu abraço, enquanto com a outra mão acionava o gatilho com precisão.
As costas de Alícia colidiram com o peito do homem; o sangue fervia como magma em erupção.
Kylen virou a cabeça e disparou na outra direção.
De repente, a pessoa em seus braços se soltou.
Um frio se concentrou da ponta dos dedos de Kylen até seu coração, e seu corpo alto e ereto enrijeceu.
O mascarado de preto que havia sido derrubado pelos seguranças momentos antes, reunindo suas últimas forças, rolou no chão para pegar a arma caída.
Seus dedos tremeram. Ela baixou a cabeça e olhou para a mão com as veias saltadas que circulava firmemente seu pulso.
Ela recuou um passo instintivamente, mas as pontas dos dedos de Kylen, pressionadas contra a pele de seu pulso, a seguraram com força no momento do recuo, puxando-a para seus braços.
Do início ao fim, ele não disse uma única palavra.
Yolanda estava sendo empurrada na cadeira de rodas pela babá, com seguranças protegendo seus flancos, tentando se esconder no centro do lar de idosos.
Em meio às silhuetas em fuga, Yolanda fixou um olhar ressentido nas duas figuras não muito distantes.
Após o tiro, ela procurou por Kylen em todos os lugares, querendo girar a cadeira de rodas desesperadamente para encontrá-lo, quase sendo atingida por uma bala.
Ela não o encontrou, e a ansiedade, a preocupação e o medo perturbavam sua mente.
Mas então, ela o viu ali, junto com Alícia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!