Entrar Via

Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 109

O couro cabeludo de Alícia formigou; na escuridão, sem poder ver, seus sentidos foram infinitamente ampliados.

Aquela mão a segurava com firmeza excessiva; as pontas dos dedos, levemente ásperas, pressionavam seu ombro como se quisessem incrustá-la naquele abraço.

Ao redor, ouvia-se o burburinho dos convidados, mas ela parecia conseguir ouvir as próprias batidas do coração e as do outro.

— Tum, tum, tum.

Uma mistura de pânico e irritação tomou conta dela. Alícia estava prestes a reagir, mas uma outra voz em sua mente lhe disse que talvez a pessoa tivesse se enganado, e lembrou-se também dos ensinamentos do Diretor Barros: pense três vezes antes de agir.

— Senhor, você me confundiu com...

Antes que pudesse terminar a frase, seu queixo foi subitamente agarrado e uma força bruta a obrigou a erguer a cabeça; sentiu um toque macio em seus lábios.

Ao perceber que a ponta da língua do outro tentava forçar a abertura de seus dentes, Alícia não quis saber se o banquete era organizado pela Família Lourenço ou quem quer que fosse o sujeito; atrever-se a tirar vantagem dela significava pedir para morrer!

Sua mão tateou desordenadamente a mesa, agarrou algo e arremessou com força contra a pessoa!

Mas, no segundo seguinte, a iluminação do salão foi restaurada.

Em meio ao alvoroço geral, Alícia sentiu todo o sangue do corpo subir à cabeça.

No entanto, a mão com a qual ela segurava o prato foi interceptada no ar; um leve cheiro de cedro e tabaco invadiu suas narinas.

Ela olhou atordoada para o homem que abraçava seu ombro e para o pequeno ferimento no canto dos lábios dele, mordido por ela, de onde escorria um fio de sangue.

Kylen baixou os olhos, varrendo a expressão de vergonha e raiva dela, e disse com um tom gélido:

— Para me perseguir até dentro do salão, você veio vestida assim?

O que ele queria dizer com "vestida assim"?

Os olhos pretos e brancos de Alícia brilharam límpidos enquanto ela respondia com convicção:

— Estou usando um vestido de gala decente.

A pele do ombro arredondado sob a palma da mão dele era delicada; do ângulo de visão do homem, suas curvas impressionantes eram totalmente visíveis. Embora não fosse vulgar, cada detalhe era extremamente irritante aos olhos dele!

Kylen a encarou com um olhar pesado; por trás das lentes dos óculos, seus olhos eram profundos e obscuros.

— Agora não tenho tempo. — Kylen soltou o pulso dela.

— E depois do leilão?

Kylen respondeu friamente:

— Depende.

Alícia sentiu uma raiva contida; a resposta de Kylen pendia claramente para a recusa.

Ela olhou para a bengala dele, encostada na parede e que chegava à altura de sua coxa. Embora o gesso já tivesse sido removido, ele ainda precisava da bengala para caminhar e para que a lesão na perna se recuperasse mais rápido.

Ela caminhou com seus saltos altos, chutou a bengala para longe com um pé e saiu andando!

Observando as costas dela, Kylen trincou os dentes de repente.

Durante o breve apagão, Alcides havia deixado Sylvia para procurar Alícia. Ao vê-la agora, furiosa, caminhou até ela e bloqueou seu caminho.

Ele ergueu os olhos e olhou para Kylen, que estava atrás dela com uma expressão gélida.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!