O vento norte, que soprava do lado de fora da janela, cessou sem que se percebesse.
Uma sombra alta e imponente erguia-se diante do leito hospitalar.
Dedos longos e limpos tocaram levemente os lábios pálidos da mulher adormecida na cama.
A polpa do dedo pressionou o lábio inferior dela, acariciando-o de forma ambígua, e a ponta dos dedos deslizou lentamente, do queixo ao maxilar, passando pelo lóbulo da orelha, até repousar no canto do olho dela.
Um riso extremamente suave emanou da sombra.
A mulher na cama não percebeu absolutamente nada.
A sombra ergueu os dedos que haviam tocado o rosto da mulher, levou-os aos lábios e beijou-os levemente.
Olhos negros e profundos fitavam a mulher na cama, e uma voz rouca sussurrou com ternura e apego: — Alícia...
A figura alta apoiou-se em ambos os lados do travesseiro, curvando-se e aproximando-se lentamente do rosto dela...
Em seu sono, Alícia sentiu uma dor surda no baixo ventre; franziu a testa, desconfortável, e virou-se inconscientemente.
De repente, sentiu algo passar de raspão por seus lábios, algo macio e gelado.
Ela abriu os olhos abruptamente, mas tudo estava escuro diante dela.
A sensação estranha nos lábios persistia, mas percebeu que fora apenas uma mecha de seu cabelo que escorregara para a boca quando se virou.
Por que ela estava tão paranoica hoje?
...
Ao amanhecer, Julian acompanhou o ortopedista na visita ao quarto de Kylen.
Para sua surpresa, Yolanda já havia chegado bem cedo.
— Yolanda, você não precisa vir todos os dias. O Kylen tem a nós para cuidar dele, e esse vaivém é inconveniente para você. — Julian tirou a máscara e caminhou até lá, lançando um olhar para o café da manhã de Kylen.
Fora preparado pessoalmente por Yolanda.
Para preparar tudo aquilo e trazer ao hospital, ela provavelmente se levantara antes do sol nascer.
Yolanda servia uma tigela de canja. — De qualquer forma, não tenho nada para fazer. Se vocês não me deixarem vir, vou acabar ficando deprimida em casa.
O homem na cama tinha traços perfeitos e refinados, que pareciam ainda mais suaves devido à falta de cor em seu rosto, mas sua expressão era distante e fria. Seus lábios finos estavam levemente franzidos, provocando um calafrio inexplicável em quem o olhasse.
Yolanda franziu a testa ligeiramente.
— Enfaixe de novo. — disse Kylen finalmente, com sua voz rouca e magnética, num tom indiferente.
Três batidas soaram na porta.
Vinicius foi até lá e abriu.
Do lado de fora, um guarda-costas empurrava uma cadeira de rodas.
Ele sussurrou para Vinicius: — Irmão Lu, esta cadeira de rodas foi enviada pelo Sr. Simões. Ele disse que é um agradecimento ao Diretor Lourenço por ter salvado a esposa dele.
A frase queimava na língua, especialmente a segunda parte. Não soava como algo que uma pessoa normal diria. O que significava "Diretor Lourenço salvou a esposa"?
Mas ele tinha que transmitir o recado.
Vinicius examinou a cadeira de rodas.

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