POV/ SKY
Minhas pernas começaram a tremer.
Apoiei uma mão na parede e tentei caminhar até o sofá, mas precisei parar no meio do caminho.
Meu coração estava acelerado demais.
Senti vontade de chorar, gritar e vomitar ao mesmo tempo.
— Calma, Sky. Calma...
Levei as duas mãos à barriga.
— Está tudo bem, feijãozinho. A mamãe está aqui.
Minha voz falhou.
— Ninguém vai tirar você de mim, ouviu? Ninguém.
Comecei a chorar.
Eu sabia que Rocco tinha uma família complicada. Sabia que existiam mágoas antigas, segredos e pessoas que não gostavam de mim.
Mas nunca imaginei que alguém fosse aparecer na minha porta e tentar me convencer a interromper uma gravidez.
Meu bebê não tinha culpa de nada.
Nem sequer havia nascido!
— Seu papai precisa acordar logo — murmurei, acariciando a barriga. — Porque ele vai ter que me ajudar a resolver essa bagunça.
Ri sem humor, enxugando o rosto.
— E olha que eu já estou ficando sem paciência com a família dele.
Consegui chegar até o sofá.
Sentei-me e peguei o copo de água que Moon havia deixado na mesa.
Minhas mãos tremiam tanto que precisei segurá-lo com as duas.
Bebi alguns goles.
Depois apoiei os pés no chão e tentei fazer os exercícios de respiração que as enfermeiras haviam me ensinado.
Inspirar devagar.
Soltar o ar.
Repetir.
Fiz isso algumas vezes, tentando diminuir a sensação de aperto no peito.
Mas, quanto mais tentava me acalmar, mais lembrava das palavras de Helena.
Quero que interrompa essa gravidez.
A náusea veio de repente.
Coloquei o copo sobre a mesa e me levantei.
— Ah, não...
Mal consegui chegar ao banheiro.
Ajoelhei-me diante do vaso sanitário e vomitei.
Meu estômago estava praticamente vazio, mas isso não impediu que eu continuasse passando mal.
Quando finalmente consegui parar, fiquei sentada no chão, encostada na parede, tentando recuperar o fôlego.
As lágrimas voltaram.
Eu estava cansada.
Tão cansada.
Queria minha casa.
Queria meu pai.
Queria minha mãe.
Queria Rocco.
Principalmente Rocco.
Mas ele estava internado, e eu não podia simplesmente aparecer no hospital chorando e exigir que acordasse para resolver meus problemas.
Peguei o celular.
Pensei em ligar para Moon, mas ela havia saído com Sakura para resolver alguma coisa. Se contasse o que aconteceu, as duas voltariam imediatamente.
Christian provavelmente estava ocupado com Rocco e os problemas da empresa. E, conhecendo aquele homem, seria capaz de aparecer na minha porta com metade da segurança da Blackwood.
Eu não queria mais confusão.
Não naquele momento.
Precisava apenas de alguém que me abraçasse e dissesse que tudo ficaria bem.
Passei os olhos pelos contatos até encontrar um nome.
Alex.
Meu amigo.
Apertei o botão de chamada.
Ele atendeu depois de alguns toques.
— Oi, ruivinha! Tudo bem?
A voz alegre dele foi suficiente para me fazer chorar novamente.
— Alex...
O tom dele mudou imediatamente.
— Sky? O que aconteceu?
Tentei responder, mas minha garganta estava apertada.
— Eu... eu preciso de você.
— Onde você está?
— Na casa do Diego.
— Você está machucada?
— Não. Eu só... preciso que venha aqui, por favor.
— Estou indo.
— Desculpa te incomodar...
— Sky, para com isso. Eu chego em dez minutos, está bem?

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