CAPÍTULO 3
POV: CHRISTIAN
Sentei ela na tampa fechada do vaso, a toalha ainda em volta do corpo, e peguei a outra, menor, para o cabelo. Os cachos loiros estavam pesados, escuros de água, e eu pressionei o tecido de cima para baixo, sem esfregar, do jeito que ela já tinha me ensinado sem ensinar. Depois passei os dedos, desembaraçando mecha por mecha, da raiz até a ponta. Moon fechou os olhos. A pulseira dela — não, não tinha pulseira nesta noite. Só a pele, os ombros nus saindo da toalha, os cílios molhados.
— Você está levando isso a sério demais — ela falou, um canto de sorriso.
— Alguém tem que levar.
— O Christian que eu conheço já teria me jogado na cama.
Olhei para ela. De perto. Os olhos verdes, o lábio roído, a marca do choro ainda no côncavo.
— O Christian que você conhece quase te perdeu hoje. Então agora ele penteia seu cabelo. Depois ele te j**a na cama.
Ela engoliu em seco.
Sequei o pescoço. As clavículas. Abri a toalha o bastante para passar o pano nos seios, na barriga, nas coxas, entre as pernas com um cuidado que fez ela puxar o ar. Não era tesão de pressa. Era o tipo de toque que pede licença mesmo quando a licença já foi dada. Enxuguei a parte de dentro dos joelhos. Os tornozelos. Depois apertei a toalha em volta dela outra vez e a levantei no colo.
Moon grudou no meu pescoço.
Atravessei o banheiro. A suíte estava igual: a cama grande, a poltrona com o paletó e a gravata, a bolsa no chão, a luz baixa. Joguei ela no colchão. Controlado. Não com raiva. O corpo pequeno afundou no branco, a toalha se abrindo, os seios aparecendo, as coxas claras, a buceta rosada entre as pernas que ela ainda não tinha aberto de verdade. Fiquei em pé na beira, nu, o pau duro contra a barriga, e olhei.
Aquilo doía.
Ela era pequena demais naquela cama. Loira demais. Os cachos ainda úmidos espalhados no travesseiro, os olhos vermelhos, a boca inchada de beijo. A vulnerabilidade dela me acertava num lugar que eu não mostrava para ninguém. Quase pedi desculpa de novo. Não pedi. Engoli. O peito apertou de um jeito que fazia mal, um aperto bom e ruim juntos, e eu soube, com uma clareza estúpida, que se ela tivesse virado aquela maçaneta até o fim eu não ia saber voltar para casa.
Moon abriu a toalha o resto.
— Para de me olhar desse jeito.
— Que jeito.
— Como se eu fosse quebrar.
— Você não quebra — falei, a voz baixa. — Eu que quebro você. Te chupo. Te fodo e te amo incondicionalmente.
Subi na cama. O colchão afundou com o meu peso. Fiquei de joelhos entre as pernas dela, as mãos nas coxas, e abri com calma. A buceta apareceu inteira: rosada, lábios pequenos, perfeita, molhada, só minha. Passei o polegar de leve, sem entrar, e Moon tremeu, as mãos no lençol.
— Christian.
— Eu sei o que você gosta — disse. — A gente já combinou isso antes. Se não quiser, você fala. Eu paro.
Ela olhou para a poltrona. Para a gravata. Depois para mim.
— Eu quero. Eu estava morrendo de saudade disso também. Só… não faz isso como se fosse castigo. Eu já sofri o bastante hoje.
A frase me acertou em cheio.
Assenti.


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