POV: CHRISTIAN
O beijo ainda tinha gosto de sal. Moon estava colada no meu peito, as mãos na minha camisa, os olhos vermelhos, a maquiagem borrada no côncavo. Eu ainda sentia o susto de quase tê-la perdido, aquele frio na garganta que não tinha saído nem depois da promessa, nem depois do abraço. Ela puxou o tecido com as duas mãos e encostou a boca outra vez na minha, mais fundo, mais molhada, e eu correspondi sem pensar em postura, sem pensar em controle, só nela.
— Tira — ela murmurou contra os meus lábios. — Tira. Eu estava com saudade.
— Também estava — respondi, a voz saindo mais baixa do que eu queria. — Mais do que eu consegui demonstrar.
Beijei a boca dela de novo. Devagar no começo. Depois não tão devagar. A língua dela veio ao encontro da minha, quente, e os cachos loiros roçaram meus dedos quando subi a mão até a nuca. Moon arqueou o pescoço, pedindo mais, e eu desci a boca pelo maxilar, pelo lado do pescoço, sentindo o cheiro dela misturado com o choro. O corpo enorme cobriu o dela sem eu perceber que tinha encostado ela na parede ao lado da porta. Ela soltou um som baixo no meu peito, as unhas curtas na minha camisa, e eu tive que respirar fundo para não desmontar outra vez.
Tentei manter a postura. A mesma de sempre. O homem que resolve, que segura, que não treme. Não adiantou. Com ela, nunca adianta.
Passei o polegar no lábio inferior dela, inchado de tanto beijar, e voltei à boca. Moon abriu. Eu entrei. O beijo ficou mais fundo, mais comprido, e as mãos dela desceram do colarinho para os botões. Ela abriu o primeiro. O segundo. Eu ajudei no terceiro, os dedos grandes atrapalhados demais para quem costuma ter pulso firme. A gravata saiu primeiro. Puxei o nó com uma mão, o tecido escorregou do pescoço, e deixei sobre o paletó que já estava na poltrona. Depois a camisa. Moon afastou o tecido dos meus ombros, as palmas passando no peito nu, e soltou o ar como se tivesse esperado exatamente aquilo.
— Saudade — repetiu, olhando para baixo, para as mãos dela no meu peito. — Eu senti tanta falta disso.
— Eu também, ratinha.
Abaixei a cabeça e beijei a boca dela outra vez, mais curto, e comecei a tirar a roupa dela. Não olhei o tipo. Não pensei no nome da peça. Só desci o que tinha que descer, com cuidado, passando o tecido pelos ombros, pela cintura, pelas coxas, até ela ficar só de sutiã e calcinha no meio da suíte. A pele clara apareceu de uma vez, marcada pela luz baixa, os seios presos na renda, a barriga subindo rápido demais. Moon cruzou os braços por um segundo, não de vergonha, de resto de raiva, e eu parei.
— Continua — ela falou, erguendo o queixo. — Eu pedi.
Desfiz o fecho do sutiã. As alças escorregaram. Os seios dela ficaram livres, os mamilos escuros contra a pele clara, e eu não apertei. Só encostei a boca no ombro, depois na clavícula, e deixei a peça cair. A calcinha veio depois. Ajoelhei na frente dela, o joelho no chão do motel, e desci o tecido pelas pernas, beijando a parte de dentro da coxa sem pressa de chegar. Moon segurou meu cabelo. Quando a calcinha passou dos tornozelos, ela saiu dela com um passo, nua, loira, os olhos verdes ainda vermelhos, e eu fiquei olhando de baixo, o peito apertado de um jeito que não tinha nada de tesão puro.
Aquela mulher quase tinha saído pela porta.

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