POV / NATHAN
Sakura parou de se mexer debaixo do cobertor.
Olhei para Diego, tentando ignorar a mão dela apertando minha coxa.
— Não enche.
Ele começou a rir.
— Nossa, ficou vermelho!
— Está calor.
— O ar-condicionado está ligado.
— Diego, pelo amor de Deus!
Ele balançou a cabeça, ainda se divertindo com a minha desgraça.
— Tá bom, tá bom. Mas a gente precisa ir para a empresa.
— Vai na frente.
— Posso esperar.
— Não precisa.
— Uai, eu espero você tomar banho.
— Eu não vou agora.
Diego franziu a testa.
— Como assim?
— Vou mais tarde.
— Mas preciso de você lá.
— Me liga.
— Nathan, tem uma reunião...
— DIEGO!
Ele arregalou os olhos.
Apertei os lábios e respirei fundo. Precisava manter a calma. Não podia simplesmente pegar meu melhor amigo pelo pescoço e jogá-lo pela janela, embora a ideia estivesse ficando bastante atraente.
— Diego — falei, tentando parecer civilizado. — Por favor, sai do meu quarto.
Ele me encarou com desconfiança.
— Você está muito esquisito.
— Estou pedindo com educação.
— Parece que está prestes a ter um infarto.
— E provavelmente vou ter se você não sair daqui!
Diego se levantou da poltrona.
Graças a Deus.
Mas, antes de caminhar até a porta, olhou novamente para o cobertor.
— Bom, desculpa incomodar, moça!
Senti Sakura prender a respiração.
Meu Deus. Se ela respondesse, se aquela mulher abrisse a boca...
— E você, Nathan, vê se aparece na empresa antes do almoço!
— Tá bom!
— Não esquece da reunião!
— NÃO VOU ESQUECER!
Diego começou a rir.
— Credo, cara. Que mau humor!
Peguei o travesseiro que estava ao meu lado e joguei na direção dele. Diego desviou, e o travesseiro caiu perto da poltrona.
— Ei!
— SAI!
Ele abriu a porta, gargalhando.
— Tá bom! Aproveita aí, garanhão!
A porta se fechou.
Fiquei imóvel, ouvindo os passos dele se afastarem.
Finalmente.
Comecei a soltar o ar quando a maçaneta girou novamente.
NÃO!
— Ah, esqueci uma coisa! — Diego anunciou, colocando a cabeça para dentro.
Meu coração deu uma pancada tão forte que quase atravessei o colchão.
— O QUE FOI AGORA?!
Ele abriu um sorriso.
— Eu quero conhecer a primeira mulher que você trouxe para dormir aqui!
Olhei para ele, completamente horrorizado.
— Você quer o quê?
— Conhecer a moça, uai!
— NÃO!
Diego arregalou os olhos.
— Nossa! Precisa gritar?
— Precisa! Quer dizer, não! Quer dizer... Diego, sai do meu quarto!
Ele entrou novamente e cruzou os braços, encostando-se no batente.

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