POV/ SAKURA
Deixei o celular carregando sobre a mesa de cabeceira, apaguei a luz e me enfiei debaixo do cobertor.
Fechei os olhos.
Virei para o lado direito.
Depois para o esquerdo.
Ajeitei o travesseiro, puxei o cobertor até os ombros e tentei encontrar uma posição confortável.
Nada.
Abri os olhos e encarei o teto.
Eu estava exausta. Minhas pernas doíam, minhas costas reclamavam e meus olhos ardiam de sono. Mesmo assim, toda vez que começava a relaxar, alguma lembrança daquele dia aparecia na minha cabeça.
Olhei para o relógio.
Onze e vinte.
— Pelo amor de Deus, Sakura. Dorme!
Fechei os olhos novamente.
Contei até cem.
Depois tentei pensar em alguma coisa agradável.
Infelizmente, meu cérebro decidiu colaborar mostrando Nathan sem camisa.
Abri os olhos.
— Ah, pronto.
Virei de barriga para baixo e enfiei o rosto no travesseiro.
Aquilo estava ficando ridículo.
Depois de mais alguns minutos, desisti e fui até a cozinha. Peguei uma caneca, esquentei um pouco de leite e fiquei encostada na bancada enquanto bebia devagar.
Minha mãe costumava dizer que leite morno ajudava a dormir.
Naquele momento, eu estava disposta a acreditar em qualquer coisa.
Terminei de beber, lavei a caneca e voltei para o quarto.
Deitei.
Fechei os olhos.
Esperei.
Nada.
Quando peguei o celular novamente, faltavam poucos minutos para a meia-noite.
— Não é possível!
Passei a mão pelo rosto, irritada.
Eu precisava dormir. Tinha passado praticamente o dia inteiro trabalhando, estava cansada e provavelmente acordaria com olheiras enormes. Mas meu corpo parecia ter decidido que descansar era uma atividade completamente desnecessária.
Abri a conversa com Nathan.
Fiquei alguns segundos olhando para a última mensagem dele.
Será que já tinha conseguido dormir?
Digitei antes de mudar de ideia.
Eu: Você conseguiu dormir?
A resposta chegou quase imediatamente.
Nathan: Ainda não.
Sorri discretamente.
Eu: Eu também não consigo.
Nathan: O que aconteceu?
Eu: Nada. Quer dizer, tudo. Estou cansada, mas não consigo relaxar.
Nathan: Está pensando no que encontramos?
Eu: Também. Minha cabeça não para.
Demorou alguns segundos para responder.
Nathan: A minha também não.
Mordi o lábio, olhando para a tela.
Eu: Você tentou dormir?
Nathan: Tentei. Não adiantou.
Eu: Eu já tomei banho quente, virei de um lado para o outro umas cinquenta vezes e até bebi leite morno.
Nathan: Leite morno?
Eu: Não julgue meus métodos.
Nathan: Jamais, dona encrenca.
Comecei a rir baixinho, cobrindo a boca para não fazer barulho.
Fiquei olhando para o celular durante alguns segundos.
Então tive uma ideia.
Uma ideia maravilhosa.
Ou completamente idiota.
Provavelmente as duas coisas.
Eu: Nathan, tive uma ideia.
Nathan: Não sei se vou gostar.
Soltei uma gargalhada.
Eu: Nossa, que falta de confiança.
Nathan: Eu te conheço, Sakura.
Eu: Você está em casa?
Nathan: Estou.
Eu: E está sozinho?
Dessa vez, ele demorou um pouco mais para responder.
Nathan: Diego está dormindo.
Arregalei os olhos.
Ah, é.
Meu irmão.

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