POV/ SAKURA
Quando Nathan chegou, pouco depois das sete, despedi-me de Sky e Moon e saí de casa. Ele estava encostado no carro, examinando alguma coisa no celular.
Ergueu o rosto quando me aproximei.
Seus olhos percorreram minha roupa e pararam na trança.
— Você fez sozinha?
Levei a mão aos cabelos.
— Fiz.
— Ficou bonita. Mas a minha é muito melhor.
Sorri, apesar de tentar esconder.
— Obrigada eu acho.
Nathan abriu a porta do passageiro para mim.
— Vamos?
Entrei no carro, e ele deu a volta para assumir o volante.
Assim que se acomodou, olhou para mim.
— Comeu?
— Comi.
— Dormiu?
— Dormi.
— Tomou água?
Virei o rosto lentamente.
— Você vai perguntar se escovei os dentes também?
Nathan começou a rir.
— Só estou conferindo.
— Parece minha mãe.
— Não me compara com sua mãe.
Sorri.
— Então para de agir como ela.
Ele balançou a cabeça e ligou o motor.
Antes de seguirmos para a Blackwood, Nathan parou em um restaurante japonês que costumava frequentar. O lugar estava relativamente tranquilo, e conseguimos uma mesa próxima à janela.
Pedi um combinado de sushi, enquanto ele escolheu algumas peças quentes e uma porção de sashimi. Conversamos sobre assuntos leves durante a refeição. Nathan reclamou de um fornecedor que havia enviado documentos incompletos três vezes, e contei que Diego parecia prestes a declarar guerra à própria impressora.
Ele riu tanto que quase derrubou o copo de água.
— Eu falei para ele trocar aquela porcaria.
— Ele disse que a impressora funciona quando quer.
— Exatamente. E ela nunca quer.
Comecei a rir.
Por alguns minutos, esquecemos os relatórios, o hospital e a discussão sobre Lorenzo. Nathan estava mais relaxado do que estivera durante o dia, e eu conseguia conversar com ele sem ficar desviando os olhos a cada cinco segundos.
Até que sua mão tocou a minha sobre a mesa.
Olhei para nossos dedos.
Nathan não afastou a mão.
— Sakura.
Ergui os olhos.
— O quê?
Ele parecia querer dizer alguma coisa, mas o garçom se aproximou naquele momento para perguntar se desejávamos mais alguma coisa.
Nathan soltou minha mão e respondeu que não.
Baixei os olhos para o prato, tentando controlar a frustração.
Quando o garçom se afastou, Nathan continuou me observando.
— O que foi? — perguntei.
— Nada.
Estreitei os olhos.
— Mentiroso.
Ele sorriu.
— Você também não me conta tudo.
— Eu conto o que é importante.
— Claro.
Revirei os olhos, mas acabei sorrindo também.
Terminamos a refeição e saímos do restaurante pouco antes das oito. O ar da noite estava mais frio, e enfiei as mãos nos bolsos do casaco enquanto caminhávamos até o carro.
Nathan percebeu.
— Está com frio?
— Um pouco.
Ele tirou a própria jaqueta e colocou sobre meus ombros antes que eu pudesse reclamar.
Olhei para ele.
— Você vai ficar sem casaco.
— Eu sobrevivo.
Ajeitei a peça sobre o corpo, sentindo novamente seu perfume.
— Obrigada.
Nathan sorriu discretamente e abriu a porta para mim.
Durante o trajeto até a Blackwood, conversamos sobre a organização dos arquivos. Ele explicou que o acesso temporário permitiria entrar na área histórica, mas que precisaríamos ter cuidado com os documentos físicos e com os equipamentos antigos.

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