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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 499

POV/ SAKURA

Tentei controlar o sorriso e falhei.

— Talvez eu só estivesse pensando.

— Esse é o problema.

— Nossa, que confiança.

— Eu confio em você. Não confio na sua capacidade de ficar quieta quando alguma coisa desperta sua curiosidade.

Comecei a rir de novo e balancei a cabeça.

— Você está exagerando.

Nathan ergueu as sobrancelhas.

— Estou?

Abri a boca para responder, mas não encontrei uma defesa boa o bastante. Isso só fez o sorriso dele aparecer.

— Foi o que eu pensei.

— Idiota.

Nathan se aproximou até ficar diante de mim e segurou minha mão.

A mudança no gesto tirou parte da brincadeira do momento. Meu olhar desceu automaticamente para nossos dedos quando o polegar dele passou devagar sobre minha pele.

— Estou falando sério agora — disse. — Não faz nada.

Ergui os olhos.

— Você está preocupado comigo?

A resposta veio sem hesitação:

— É claro que eu me preocupo com você.

Meu coração fez aquela coisa estúpida outra vez.

Baixei os olhos para esconder a reação, mas Nathan apertou minha mão de leve antes de continuar:

— Não se expõe. A gente nem sabe se essas coisas têm relação. Tem auditoria chegando, o resultado do concurso vai sair mais cedo do que estava previsto, Rocco está no hospital e a empresa inteira está funcionando de cabeça para baixo. Deixa Christian e Diego entenderem o que está acontecendo primeiro.

Olhei novamente para nossas mãos.

— Você está segurando minha mão para me convencer?

O canto da boca dele subiu.

— Está funcionando?

Apertei os lábios, fingindo pensar seriamente na resposta.

— Não.

Nathan soltou uma risada curta.

— Imaginei.

Sorri olhando diretamente para ele.

Por alguns segundos, nenhum de nós falou. Nathan continuou com minha mão entre as dele, e eu deixei que o silêncio voltasse para a suíte.

Só que agora ele já me conhecia bem demais para acreditar que minha cabeça também tinha ficado em silêncio.

Só que, dessa vez, minha cabeça já estava longe demais daquela cama.

Lorenzo queria movimentar quase um bilhão de reais no meio da noite.

Christian e Diego não atendiam.

E eu ainda conseguia ouvir Christian dizendo para o próprio pai não fazer mal a elas.

Talvez não tivesse relação nenhuma.

Mas alguma coisa naquela história não estava certa.

Quando voltei do banheiro, Nathan continuava sentado na cama, agora ajeitando a própria roupa. Parei perto dele e tentei passar os dedos pelos cabelos outra vez, mas encontrei um nó antes mesmo de chegar à metade do comprimento.

Soltei um gemido de irritação.

— Meu Deus.

Nathan ergueu o rosto.

— O quê?

— Meu cabelo.

Caminhei até o espelho comprido da suíte e encarei meu reflexo. A limpeza improvisada no banheiro tinha resolvido parte do desastre. Meu rosto estava melhor, a maquiagem borrada tinha diminuído e o vestido finalmente cobria o que precisava cobrir, embora continuasse amarrotado o suficiente para denunciar que eu definitivamente não tinha passado aquela noite numa reunião religiosa.

O cabelo, porém, parecia ter enfrentado uma guerra.

Tentei separar os fios com os dedos e fiz uma careta quando encontrei outro nó.

— Não tem salvação.

— Está bonito.

Olhei para Nathan pelo espelho.

Ele já tinha levantado da cama e terminava de ajeitar a camisa no corpo. Os cachos loiros continuavam bagunçados e os primeiros botões permaneciam abertos.

— Eu pareço uma sobrevivente.

— Continua bonita.

Minhas mãos pararam no meio do cabelo.

Pelo reflexo, vi o instante em que ele percebeu o que tinha dito. Nathan desviou os olhos por um segundo, como se elogiar minha aparência depois de tudo que tinha acontecido fosse muito mais comprometedor do que qualquer outra coisa que fizemos naquela suíte.

Meu rosto esquentou.

Virei-me para ele.

— Eu vou embora.

Nathan ergueu os olhos.

— Ei.

— O quê?

Ele demorou um pouco antes de responder. Passou a mão pela nuca, olhou para a cama desarrumada e voltou a me encarar.

— Foi bom conversar com você.

Arqueei uma sobrancelha.

— Conversar?

O sorriso dele reapareceu.

— Também.

Senti meu rosto esquentar ainda mais.

— Idiota.

Nathan sorriu, e por algum motivo aquilo me fez permanecer onde estava em vez de caminhar até a porta.

Fiquei observando os cachos bagunçados, o rosto cansado e aquela expressão que eu conhecia havia tempo demais. Depois da ligação da Blackwood e daquela conversa estranha sobre Lorenzo, eu deveria estar pensando na empresa. Deveria estar pensando na auditoria, na transferência ou em qualquer uma das outras dez coisas que tinham acabado de entrar na minha cabeça.

Mas Nathan estava ali.

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