POV: NATHAN
— Você só disse que não queria ser esse homem.
Fiquei olhando para ela.
A lateral do meu rosto ainda ardia por causa do tapa, mas aquela dor não chegava nem perto da merda que estava acontecendo dentro do meu peito.
Sakura permanecia diante de mim com os cabelos pretos bagunçados, uma das mãos ainda próxima da alça do vestido que tinha acabado de ajeitar. A respiração estava acelerada. A boca continuava vermelha pelo nosso beijo, os lábios ligeiramente inchados, e a gargantilha preta destacava o pescoço que eu tinha acabado de tocar.
Ela estava certa.
Eu tinha dito que não queria ser aquele homem.
Tinha repetido aquilo para mim mesmo tantas vezes que quase consegui acreditar.
Quase.
Atravessei a distância entre nós novamente.
Sakura nem teve tempo de perguntar o que eu estava fazendo. Enfiei uma das mãos nos cabelos dela, fechei os dedos entre os fios e puxei seu corpo contra o meu.
Beijei-a.
Outra vez.
Dessa vez não existiu surpresa.
Sakura me recebeu de boca aberta, e minha língua encontrou a dela enquanto minha outra mão segurava sua nuca. Apertei os dedos ali, mantendo-a perto, como se soltá-la significasse voltar a pensar.
E eu não queria pensar.
Não queria lembrar de Diego.
Não queria lembrar das decisões que tinha tomado.
Não queria lembrar de todas as razões pelas quais aquilo era uma péssima ideia.
Queria Sakura.
Ela gemeu contra minha boca.
O som baixo atravessou meu corpo inteiro.
— Porra...
Sakura aproveitou o segundo em que minha boca se afastou e mordeu meu lábio inferior.
Forte.
Senti a ardência primeiro.
Depois o gosto metálico.
Passei a língua pelo pequeno corte e encarei os olhos escuros dela.
— Você me mordeu.
O sorriso apareceu imediatamente.
Aquele sorriso.
Metade anjo.
Metade desgraçada.
— Foi sem querer.
— Mentirosa.
Ela riu.
Segurei sua nuca outra vez e voltei a beijá-la.
O gosto discreto de sangue se misturou ao brilho que ainda restava nos lábios dela. Sakura agarrou a frente da minha camisa e me puxou, amassando ainda mais o tecido preto.
Durante anos eu tinha conseguido manter algum controle porque sempre existia alguma coisa entre nós.
Primeiro, o medo.
Depois, Diego.
Depois, tudo que tinha acontecido com minha família.
E, por último, Pablo.
Pablo tinha sido quase um alívio.
Eu odiava admitir aquilo, mas era verdade.
Enquanto Sakura namorava, havia uma linha que eu sabia que não atravessaria. Eu podia sentir ciúme. Podia odiar imaginar os dois juntos. Podia beber, reclamar sozinho e querer quebrar a cara dele.
Mas eu nunca faria Sakura trair alguém.
A existência daquele relacionamento colocava uma barreira onde eu já não conseguia colocar nenhuma.
Agora não havia Pablo.
Sakura estava solteira.
Estava no Ambrosia.
Tinha acabado de me dizer que queria experimentar coisas novas.
E isso acabava comigo.
Com meu controle.
Com meu ego.
Com meu coração.
Minha mão deixou a nuca dela e percorreu sua cintura. O vestido preto se ajustava ao corpo sob meus dedos, e Sakura se aproximou ainda mais, passando os braços pelo meu pescoço.
Segurei sua cintura com as duas mãos e a ergui.
Ela soltou uma risada contra minha boca antes de prender as pernas ao redor de mim.
— Nathan...
— Cala a boca.
— Eu nem falei nada.
— Melhor ainda.
Ela riu novamente.
Minha mão desceu pela lateral de seu corpo e a firmei contra mim enquanto atravessava o quarto sem conseguir parar de beijá-la.
Nem sabia direito para onde estava indo.
Para a cama.
Para a parede.
Para o inferno.
Tanto fazia.
Sakura continuava nos meus braços, e nós nos movimentávamos pelo quarto quase sem direção, tropeçando nos próprios passos enquanto tentávamos beijar e respirar ao mesmo tempo. Ela puxava meu cabelo. Eu segurava sua cintura. Minha boca encontrava a dela novamente toda vez que alguns centímetros surgiam entre nós.
Beijar Sakura era uma coisa que eu poderia fazer até morrer.
E, naquele momento, morrer daquele jeito me pareceu uma excelente opção.
Ela se afastou apenas o suficiente para respirar.

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