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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 370

POV: SKY BITTENCOURT

Deslizei o dedo pela tela e atendi no viva-voz:

— Oi...

— Bittencourt, já estou estacionado na calçada te esperando — a voz grave dele soou limpa, com aquele tom pausado de quem manda em metade da cidade. — Quer ajuda com as malas?

— Não precisa subir, não — respondi, rindo baixo enquanto caminhava até o armário para escolher uma roupa. — Mas você vai ter que esperar uns dez minutinhos, porque tinha um homem aqui fazendo manutenção e eu ainda preciso me vestir.

Silêncio.

Continuei andando em direção aos cabides.

Dois segundos. Três. Parei e olhei para o visor. A ligação continuava ativa.

— Rocco?

— Volta.

— O quê?

— Volta a frase.

Franzi a testa.

— Que frase?

— A frase inteira.

— Tinha um homem aqui fazendo manutenção e eu ainda preciso me vestir.

Outro silêncio. Dessa vez, mais pesado.

— Sky.

— Oi?

— Por que você ainda precisa se vestir?

Olhei para baixo.

— Porque eu não estou vestida.

— Eu entendi essa parte, obrigado. A pergunta é: por que havia um homem dentro da sua casa enquanto você não estava vestida?

Mordi o lábio inferior para segurar a risada.

— Ciumento...

— Não muda de assunto.

— Eu nem comecei outro assunto.

— Quem é o sujeito?

— Um técnico.

— Técnico de quê?

— Do gás.

— Nome.

— Não sei.

— Empresa.

— Também não sei.

— Você colocou dentro da sua casa um homem cujo nome você não sabe e cuja empresa você também não sabe?

Pisquei, sem argumentos para rebater.

— Ele estava uniformizado.

— Ah, excelente. Resolvido. Criminosos são biologicamente incapazes de usar macacão de brim.

— Rocco!

— Sky, você estava pelada?

— Claro que não!

Ele soltou o ar com força do outro lado da linha.

— Menos mal.

— Eu estava com um robe.

Silêncio.

— Rocco?

Nada.

— Amor?

— Estou processando.

A risada escapou da minha garganta.

— Processando o quê?

Desliguei e joguei o celular na cama, balançando a cabeça.

Vesti uma lingerie confortável e coloquei um vestido leve de alcinhas. Calcei uma sapatilha simples, fechei a mala de mão com um puxão rápido e joguei a alça no ombro.

Passei na cozinha apenas para conferir a trava manual do registro de gás. Estava fechado, exatamente como o técnico tinha orientado.

Apaguei as luzes, saí para o corredor externo e dei duas voltas na fechadura.

Desci os degraus de concreto da escadaria. A Mercedes preta do Rocco estava parada rente à calçada, reluzindo sob a luz cinzenta da tarde de Porto Alegre.

Pisei no último degrau.

Uma queimação esquisita apertou o fundo do meu estômago de repente, sem aviso e sem motivo físico. Era aquela mesma sensação amarga que sempre me visitava antes de alguma coisa desandar na minha vida: o hábito antigo do meu corpo de achar que, sempre que eu estava feliz e em paz demais, o chão ia ceder debaixo dos meus pés.

Parei por um segundo, engoli a saliva seca e apertei a alça da mala.

Olhei para o carro.

O vidro do motorista estava completamente aberto. Rocco estava lá dentro, com os braços cruzados contra o peito largo, os olhos verdes cravados em mim, as sobrancelhas franzidas e um bico emburrado de quem tinha ensaiado um sermão inteiro durante a espera.

A visão daquela cara amarrada desarmou o aperto no meu peito no mesmo segundo.

Soltei o ar devagar, dei um meio-sorriso de provocação e caminhei até a porta do carro.

Abri a porta do carona, joguei minha mala de mão no espaço atrás dos bancos e me acomodei no couro perfumado. Virei o rosto para ele, apoiei o queixo na palma da mão e encarei aquela carranca armada.

— Vejo que você ainda está com essa cara. Ficou bravo?

Rocco nem piscou. Manteve os olhos cravados no para-brisa, encarando a rua vazia como se o asfalto tivesse acabado de insultar a honra da família dele.

— Não estou bravo.

— Não parece. Parece que chupou três limões galegos com casca e semente.

— Eu tenho uma expressão facial perfeitamente neutra, Bittencourt.

— Aham, sei. Uma neutralidade que assusta os pedestres na calçada — soltei, segurando a risada. — Mas que pena. Se você não está bravo, não precisa de beijo de reconciliação. Eu ia amaciar o seu ego, mas, já que o senhor está perfeitamente em paz, eu economizo a minha saliva.

Ele virou o pescoço na minha direção com tanta rapidez que quase deu para ouvir as vértebras estalando.

— Quem disse que eu não quero beijo?

— A sua cara.

— Minha cara não tem boca própria para dar opinião.

— Mas o bico que você está fazendo fala por si só.

Rocco soltou o ar com força pelo nariz, perdeu a pose inteira de homem inabalável e desmanchou a cara fechada. Descruzou os braços, esticou as mãos compridas e segurou meu rosto, afundando os dedos nas minhas bochechas de um jeito que espremeu meus lábios em um biquinho forçado.

— Tá bom, droga. Sua chantagista — ele resmungou contra a minha boca.

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