POV: SKY
O ar travou na garganta antes mesmo de alcançar o fundo dos meus pulmões. O espaço pequeno do elevador pareceu girar devagar, a pressão do ambiente pesando sobre os meus ombros enquanto o meu peito subia e descia em um ritmo desordenado, incapaz de puxar o oxigênio para dentro.
Minha boca se abriu. A língua colou no céu da boca, completamente seca. Fechei. Tentei de novo, mas a garganta pareceu fechar em um nó. Na terceira tentativa, o som simplesmente travou, me deixando sem ar.
Estiquei a mão na direção do peito dele. Meus dedos tremiam sem parar, balançando no ar porque a vontade de gritar e empurrar lutava contra o desespero de me segurar em alguma coisa firme. No segundo em que a ponta da minha pele encostou no tecido da camisa do Rocco, uma descarga elétrica gelada subiu pelo meu braço. Puxei a mão no ato, como se tivesse tocado em um fio desencapado.
Eu estava ouvindo cada palavra. Entendia o português perfeitamente. Mas as sílabas entravam pelos meus ouvidos e estilhaçavam dentro do meu cérebro. A imagem das mentiras, da Inglaterra, do sumiço e de todo o silêncio dele voltava em ondas geladas, atropelando o tom de verdade que brilhava nos olhos verdes que me encaravam. Um pensamento puxava para um lado, o outro rasgava para o oposto, se contradizendo até a minha cabeça latejar, como se centenas de agulhas finas estivessem sendo fincadas de dentro para fora no meu crânio. Meu estômago despencou, ficando totalmente frio, e uma gota de suor escorreu lenta pela minha nuca.
Minhas pernas simplesmente deixaram de funcionar. Os joelhos dobraram para a frente e o peso do meu próprio corpo cedeu direto em direção ao chão de metal.
O Rocco foi mais rápido. As mãos dele fecharam ao redor dos meus ombros, segurando o meu peso com firmeza. A estrutura do corpo dele acompanhou o meu movimento e os dois joelhos dele bateram no piso de metal no mesmo segundo em que os meus tocaram a superfície fria.
Ficamos ali, ajoelhados no chão do elevador travado.
Ele soltou os meus ombros e colou as duas palmas quentes nas laterais do meu rosto. Os polegares dele pressionaram a minha pele, erguendo a minha cabeça até que os nossos olhos ficassem na mesma altura.
— Calma — a voz dele veio baixa, grave, balançando de um jeito que eu nunca tinha ouvido antes. — Respira, Sky. Respira.
— Rocco... — um sopro rasgado saiu da minha garganta seca.
— Você não precisa me dizer nada agora — ele falou, sem soltar o meu rosto, o hálito quente batendo direto contra o meu lábio inferior. — Eu lamento muito. Lamento por cada mentira, por cada segredo e por cada vez que fiz você duvidar de mim. Eu sei que é muita coisa para a sua cabeça processar de uma vez. Eu vou te contar tudo, tim-tim por tim-tim, e vou te dar o tempo e o espaço que você precisar para pensar. Mas eu não aguentava mais guardar isso aqui dentro sem você saber.
A minha vista escureceu de leve nas bordas. Minhas costelas chacoalhavam com a força do meu coração batendo descontrolado contra os ossos, parecendo que ia rasgar o meu peito a qualquer momento.
Uma lágrima quente escorregou pela minha bochecha, riscando a pele até pingar no pulso dele. O Rocco não soltou o meu rosto.
— No outro dia cedo, você acordou e saiu correndo daquele apartamento como se a sua vida dependesse disso. Foi a cena mais absurda e hilária da minha vida — ele deu um sorriso fraco, dolorido. — Mas depois que você passou por aquela porta, você não saiu mais da minha cabeça. Eu tentei seguir em frente. Tentei sair com outras mulheres, tentei focar no trabalho, mas era impossível. Eu fiquei completamente obcecado por ruivas. O meu corpo rejeitava qualquer outra pessoa. O Black entrou em greve. Nada mais funcionava.
Engoli o choro que apertava a minha garganta em um nó cego. Minhas pernas continuavam tremendo contra o chão de metal, os braços fracos demais para me segurar, mas eu continuava ali, presa a cada sílaba que saía da boca dele.
— Até que eu fui para aquela exposição de prédios, em outro estado — a voz dele baixou ainda mais, a mão livre subindo para apertar o meu ombro com firmeza. — E você estava lá. A garota do vestido pichado. Quando vi o seu desenho técnico, fui eu quem fiz aquela anotação no seu bloco. Fui eu quem mandou colocar o guarda-sol sobre você, porque você estava exposta ao sol e eu não suportava ver você desconfortável.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Não sei vocês... Mas estou chorando!!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário