POV/ SKY
— Sky.
Pisquei.
— Hã?
— Você está me ouvindo?
— Não! — soltei sem querer.
Arregalei os olhos.
— Quer dizer, sim! Claro que sim! Prazos, maquetes, relatórios!
O Rocco deu uma risada baixa, um som denso que fez o meu estômago dar uma volta completa.
— O que eu acabei de falar?
Olhei para ele.
— Sobre... o projeto.
Silêncio.
— Qual projeto?
— O nosso.
— Qual é o prazo?
Olhei para a parede.
— Em breve.
Rocco fechou os olhos por um instante.
— Você está bem? Parece nervosa.
— Eu não estou nervosa!
Ele desencostou da mesa e deu dois passos lentos na minha direção.
No desespero, estiquei o braço para trás, tentando tatear a maçaneta da porta para escapar dali. Antes que os meus dedos encostassem no metal, o Rocco colocou a mão aberta na madeira da parede, bem ao lado da minha cabeça, bloqueando a minha saída.
O cheiro amadeirado do perfume dele me atropelou de uma vez.
— Eu te deixo nervosa? — ele perguntou, abaixando o tom de voz até virar um sussurro perto da minha orelha.
— Não. Você não me deixa nada.
— Tem certeza?
— Não estou.
— Sky.
— Rocco.
— Você está tremendo.
Olhei para minhas mãos. Elas estavam tremendo.
— É cafeína.
— Você está tremendo desde que entrou.
— Cafeína emocional.
Ele me encarou.
— Posso ir ao banheiro?
— Não.
— Por quê?
— Porque você acabou de chegar.
— E daí?
— Você está tentando fugir.
— Eu tenho bexiga!
— Você acabou de chegar.
— A bexiga não respeita reuniões corporativas!
— Eu acho que você está tentando fugir porque eu te deixo nervosa.
— Não.
— Tem certeza?
— Absoluta.
— Então você não está tentando fugir?
— Eu não estou fugindo.
Olhei para a porta atrás de mim.
— Estou apenas... reposicionando meu corpo em direção à saída.
— Isso se chama fugir.
— Você é muito técnico.
O olhar dele desceu para a minha boca.
Meu cérebro entrou em combustão.
— Rocco...
— O quê?
— Não olha para mim assim.
— Assim como?
— Você sabe.
— Não sei.
— Sabe, sim.
Ele deu um sorriso pequeno.
Eu queria morrer. Queria morrer imediatamente. Sem velório. Sem flores. Sem familiares. Só uma placa dizendo: Aqui jaz Sky Bittencourt. Ela encontrou o próprio chefe e não sobreviveu ao contato visual.
Fechei os olhos com força e virei o rosto para o lado oposto. As minhas bochechas queimavam como se estivessem em chamas, as minhas orelhas ferviam, o meu corpo inteiro se arrepiou e senti a minha calcinha molhar instantaneamente no meio daquele pavor. Zero dignidade. Uma vergonha absoluta.
O Rocco se afastou um centímetro, dando espaço.
Olhei para a mesa e vi uma pilha de papéis.
— É... é isso? Os relatórios? — perguntei com a voz falhando.
Passei por baixo do braço dele num movimento rápido, fui até a mesa, juntei a papelada de qualquer jeito e comecei a enfiar tudo dentro da minha bolsa. Folha por folha. Um papel escorregou e caiu no chão.
O Rocco tirou o celular do bolso do paletó, colocou a ligação no viva-voz e levou o aparelho à altura do peito.
— Sr. Auri? — a voz grave do Rocco ressoou nas paredes do elevador.
O chiado da linha ocupou o espaço antes de uma voz firme responder alto pelo alto-falante:
— Pois não, Dr. Blackwood?
— Pode travar o elevador executivo entre os andares e desligar as câmeras internas, por favor.
— Quê?! Não, não, não! Você não pode fazer isso! — gritei.
— Entendido, doutor. Travando agora — a resposta do Sr. Auri veio clara pelo viva-voz.
Arregalei os olhos, paralisando no lugar.
O Rocco encerrou a chamada, guardou o celular no bolso, virou o corpo devagar para mim e cruzou os braços sobre o peito.
— Você disse que só conversaria comigo se fosse obrigada ou se acontecesse uma tragédia. Problema resolvido. Agora nós vamos conversar.
Eu fiquei olhando para ele.
— Você acabou de sequestrar um elevador!
— Tecnicamente, não.
— VOCÊ MANDOU PARAR O ELEVADOR!
— Para conversarmos.
— ISSO É SEQUESTRO!
— Você está dentro voluntariamente.
Olhei para a porta. Olhei para ele.
— Eu entrei achando que ele ia descer!
— E ele vai.
— QUANDO?!
Rocco manteve os braços cruzados.
— Quando terminarmos de conversar.
Fiquei encarando aquele homem.
— Você é um psicopata.
— Você disse que só conversaria comigo se fosse obrigada.
— Eu falei isso em um momento de desespero!
— E agora está obrigada.
— ISSO NÃO É COMO O LIVRE-ARBÍTRIO FUNCIONA!
— Você também disse que só conversaria comigo se acontecesse uma tragédia. — Ele fez uma pausa. — Considere isso uma tragédia.
Levei as duas mãos ao rosto.
— Meu Deus.
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AGORA VAI NÉ!!!! 🚨🚨😱
🔥🔥 QUE ELES SE ACERTEM!!!! 🔥🔥

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