POV: SKY
Olhei para o ketchup no meu casaco. Depois para o Diego. Depois para o céu.
Por que Deus estava fazendo aquilo comigo?
Eu tinha passado a manhã inteira fugindo do Rocco. Tinha inventado uma pneumonia, quase me matado de ansiedade e colocado um casaco de frio no meio de um dia quente só para sustentar a minha mentira. E agora eu precisava aparecer na empresa dele às nove da manhã.
Nove. Da manhã. Na Blackwood. Com o Rocco Blackwood.
Meu chefe. O homem que eu estava evitando. O homem que me deixava com as pernas bambas só de pensar no olhar dele.
— Que foi, doida? — Diego perguntou, me entregando um pano.
Peguei o pano e comecei a esfregar a mancha. A sujeira só aumentou. Parei e joguei o tecido na bancada.
— Pronto.
— Pronto o quê?
— Desisti.
— Do casaco?
— Da vida.
Diego riu.
— É só uma reunião.
— Claro — assenti várias vezes, dando um sorriso torto. — Uma reunião. Tranquila. Normal.
O meu olho esquerdo começou a tremer.
— Você tá estranha, Sky.
— Eu estou ótima!
— Você está com ketchup no peito.
— Isso é molho.
— É ketchup.
— Eu sei que é ketchup, Diego! Eu só estou dizendo que molho é uma categoria mais abrangente!
Ele ficou me encarando em silêncio.
— Não olha para mim assim — resmunguei.
— Eu não falei nada.
— Mas pensou!
Voltei a esfregar a mancha sem sucesso. Nada na minha vida saía facilmente. Olhei para a Sakura de novo. Ela estava conversando com o namorado, sorrindo, mas aquele olhar distante continuava ali. Aquele olhar de quem queria estar em outro lugar.
E, de repente, me senti uma completa idiota.
Eu estava ali julgando a Sakura, questionando por que ela não ficava com o Nathan, por que aceitava uma situação que não queria... e olhei para o meu próprio casaco manchado.
Eu. A mulher que tinha acabado de inventar uma doença pulmonar devastadora para não encontrar o próprio chefe. A mulher que provavelmente inventaria uma fratura exposta se descobrisse que isso me livraria da reunião de amanhã.
Eu era uma falsa terapeuta. Uma fiscal de relacionamento alheio sem um pingo de autoridade moral. Praticamente um alerta ambulante sobre decisões ruins.
Passei os olhos pelo quintal. A Moon estava rindo, a Sakura tentando parecer feliz, o Diego virando a carne como se não tivesse acabado de destruir a minha estabilidade emocional.
Fechei os olhos. Foi exatamente assim. A gente simplesmente se jogou, sem medir consequências, sem pensar no amanhã.
"Nos beijamos, eu caí no seu feitiço... um amor que ninguém poderia negar."
Pressionei os lábios, lembrando do toque dele, da boca dele na minha, da sensação absurda que era estar nos braços daquele homem. Eu podia tentar mentir para a Moon, para a Sakura e para o Diego, mas não podia mentir para mim mesma. Eu tinha caído no feitiço do Rocco de um jeito sem volta.
"Nunca diga que eu simplesmente fui embora... Eu sempre vou te querer. Não posso viver uma mentira, fugindo para salvar minha vida..."
Apertei as mãos sobre o colo. Eu estava ali, fingindo doença, me escondendo atrás de um casaco no calor, fugindo para tentar salvar o meu orgulho. Mas não dava para viver aquela mentira. Por mais que eu corresse, eu sempre ia querer aquele homem.
"Eu cheguei como uma bola de demolição... Eu nunca me apaixonei desse jeito. Tudo que eu queria era derrubar suas barreiras... Tudo que você fez foi me destruir. Sim, você... você me destrói."
Senti um nó apertar a minha garganta. O Rocco tinha entrado na minha vida exatamente como uma bola de demolição, destruindo todos os meus muros, todas as minhas defesas, me fazendo sentir algo tão forte que me assustava.
"Eu te coloquei lá no alto... E agora você não está mais descendo. Isso lentamente se transformou, você me deixou queimar... E agora somos cinzas no chão."
Encarei o meu reflexo na janela do táxi. A gente tinha se queimado naquele sentimento e agora sobravam apenas as cinzas da minha vergonha de ter me declarado bêbada e fugido no dia seguinte.
Respirei fundo, vendo o sol começar a se pôr no horizonte de Porto Alegre. Não adiantava inventar desculpas. Não adiantava fingir morte, pneumonia ou fratura exposta.
Amanhã, às nove da manhã, eu teria que encarar a bola de demolição de frente.
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Gente, a Sky tá tendo um colapso completo E ELA NEM PISOU NA EMPRESA AINDA! 😂🗣️
A mulher inventou uma pneumonia, passou calor de casaco, manchou o peito de molho na frente de todo mundo e agora tá tendo uma crise existencial no táxi só de PENSAR em olhar para a cara do homem! Ela nem viu o Rocco ainda e já tá à beira de pedir demissão da própria vida! 🙈🕳️
Se só de saber da reunião das nove da manhã ela já tá surtando desse jeito, imagina o que vai acontecer quando a porta daquela sala fechar amanhã?!
Como é que essa mulher vai sobreviver até as nove da manhã, minhas leitoras?! Deixem aí nos comentários o que vocês acham que ela vai apronar até o sol nascer! 😂🗣️🔥

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