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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 264

POV/ ROCCO

Puxei o ar com força, o coração disparando contra as costelas, e deslizei o polegar pela tela no mesmo segundo em que o telefone vibrou.

Colei o aparelho no ouvido.

— Sky? Oi! Aconteceu alguma coisa? Você tá bem?

Do outro lado, silêncio.

Só a respiração dela.

Lenta.

Pesada.

Fiquei completamente imóvel na cama.

— Sky?

...

— Sky, fala comigo.

Mais alguns segundos.

Até que a voz dela finalmente apareceu.

Arrastada.

Mole.

Como se cada palavra pesasse cinco quilos.

— Você demorrrr... demor... demoloooou...

Franzi a testa.

— O quê?

— Três...

Silêncio.

— Três...

Outro silêncio.

— Toc.

Pisquei algumas vezes.

— Três toques?

— Eu contei tudinho.

Respirei discretamente, sentindo um alívio escapar do meu peito.

Pelo menos ela estava falando.

— Sky... aconteceu alguma coisa?

Ela fungou.

— Aconteceu.

Meu estômago afundou.

— O quê?

Mais silêncio.

— Você demorou pra atender.

...

Fiquei olhando para a parede escura do quarto.

Era isso.

A tragédia era eu ter atendido depois de três toques.

Passei a mão pelo rosto, fechando os olhos por um instante.

— Você tá bravo comigo?

— Não.

— Tá.

— Eu não tô.

— Tá sim...

Ela soltou um suspiro dramático.

— Seu ignolante...

Silêncio.

— Egocen...

Ela travou.

— Egocen...

Outro silêncio.

— Aquela palavra feia.

Não consegui segurar um sorriso.

— Egocêntrico?

— Isso!

Ela comemorou como se tivesse vencido um campeonato.

— Isso aí!

Silêncio.

— Mas eu ainda tô brava.

— Eu percebi.

— Você gritou comigo.

— Eu falei baixo.

— Gritou.

— Não gritei.

— Nossa...

Ela fungou outra vez.

— Grossão.

Deixei uma risada escapar pelo nariz.

— Sky... você bebeu?

Silêncio.

— Sky?

...

— Hã?

— Você bebeu?

Ela pensou tanto para responder que achei que tivesse dormido.

— Talvez...

— Talvez quanto?

Silêncio.

— Uns...

...

...

— Copos.

Sorri.

— Quantos copos?

— Os de vidro.

Fechei os olhos.

Meu Deus do céu.

— Onde você tá?

Silêncio.

— Sky?

...

— Hm?

— Onde você tá?

Ela ignorou completamente a pergunta.

— Você já jantou?

Pisquei sem entender.

— Já.

Ela ficou quieta.

Uns bons cinco segundos.

— Nossa.

— O quê?

— Jantou sem mim.

Balancei a cabeça, rindo sozinho.

— Eu tava na Inglaterra, Sky.

— Mentira.

— Como mentira?

— Porque...

Ela fez um esforço visível para organizar o próprio raciocínio.

— Porque a Inglaterra é... lá.

Fiquei em silêncio.

Não fazia ideia de como responder aquela lógica.

— Sky, aconteceu alguma coisa?

— Aconteceu uma tragédia — ela anunciou de novo, com toda a solenidade do mundo.

Meu sorriso desapareceu.

— O que aconteceu?

Outra pausa.

Ouvi um copo bater sobre madeira.

Depois o barulho abafado de alguém rindo ao fundo.

— Você.

— Eu?

— Você aconteceu.

Passei a mão pela testa.

— O que eu fiz?

Ela bateu alguma coisa na mesa.

— VOCÊ FOI EMBORA, NÃO PRECISAVA!

A voz dela ecoou tão alta que precisei afastar o telefone da orelha.

— Não precisava nada!

— Sky...

De repente:

— AH!

Ela praticamente gritou dentro do telefone.

— Lembrei!

Sorri.

— Qual era?

Ela respirou fundo.

Como se fosse revelar o maior segredo da humanidade.

— Pra...

Silêncio.

— Te...

Outro silêncio.

— Odiar.

Sorri sozinho.

— Só isso?

Ela ficou pensando.

— Não.

— Não?

— Tinha outra coisa.

— Qual?

Silêncio.

Mais silêncio.

— Eu não vou contar.

— Por quê?

Ela respondeu com a lógica impecável de uma pessoa completamente bêbada:

— Porque eu esqueci.

— ...

Outra pausa dramática.

— Talvez — ela murmurou, num tom defensivo.

— Quanto você bebeu, garota? Quantos copos?

— Depois do oito eu parei de contar porque achei invasão de privacidade da minha parte.

A ligação caiu na minha cara com um bipe seco.

Olhei para o visor do celular. A chamada tinha durado exatamente um minuto e onze segundos. Fiquei encarando a tela preta, parado no meio do quarto em Londres, soltando uma gargalhada baixa que ecoou pelas paredes silenciosas da mansão.

Antes que eu pudesse tentar ligar de volta, o aparelho começou a apitar sem parar na minha mão. Uma tempestade de mensagens de texto começou a entrar no aplicativo, uma atrás da outra, em uma velocidade surreal.

Abri o chat e comecei a ler a briga travada dela contra o próprio teclado:

"naum responde" "respnde nao" "serio" "to flndo serio" "para de me ignorar" "EU MANDEI VC N RESPONDER" "vc ta me desobedeesendo" "desobedecendo" "desobedecedno" "ESSA PALAVRA TA ERRADA" "CULPA SUA"

Rolei a tela para baixo, rindo até a minha barriga doer.

"😡" "😡😡" "😡😡😡😡😡" "😭" "😡😭😡😭😡😭"

Segundos depois, veio outra rajada de texto:

"boa noite" "esquece a boa noite" "boa noite denovo" "boa noite oficial" "ultima boa noite" "essa agora e a ultima" "nao responde" "pq vc nao respondeu" "bloquiei vc" "como desbloquea sem desbloquear" "arthur" "nao era pra mandar isso"

Logo embaixo, vieram duas mensagens onde ela nitidamente tentou conversar com o próprio telefone:

"celular para" "PARA" "vc ta tremendo" "eu nao"

Eu estava rolando de rir na cama quando a barra de áudios começou a carregar. Ela tinha metralhado o meu aplicativo com gravações de voz.

Cliquei no primeiro áudio:

"Eu só queria dizer que eu te odeio." Fim.

Dei o play no segundo:

"Eu te odeio. Mas... você já jantou? Porque se você não jantou, eu vou ficar brava. Come uma sopa." Fim.

Cliquei no terceiro:

"A Inglaterra é fria. Leva casaco. Não aceita chá de estranhos. Se uma velhinha te oferecer chá na rua, você corre. Tô falando sério." Fim.

Cliquei no quarto, onde ela começou gritando:

"VOCÊ ACHA QUE É BONITO?!" Três segundos de silêncio na gravação. "Porque é. Infelizmente você é. Ridículo." Fim.

O quinto áudio tinha quase um minuto:

"Eu odeio esse seu perfume..." Silêncio. "Na verdade eu gosto. Fica impregnado no meu casaco. Isso me irrita profundamente. Não usa mais." Fim.

O sexto:

"Você tem o cabelo bonito." Silêncio. "Ridículo." Fim.

O sétimo áudio me fez gargalhar alto no quarto:

"Não escuta esse áudio." Três segundos de pausa na gravação. "Você escutou? Eu mandei não escutar!" Fim.

E então, cheguei ao arquivo principal. Um áudio gigante, com exatamente dezesseis minutos e nove segundos de duração. Um verdadeiro documentário da vida de Skye.

Deitei de costas no colchão, recostei a cabeça no travesseiro, coloquei o telefone no viva-voz e apertei o play.

A voz dela preencheu a escuridão do meu quarto em Londres:

"Esse áudio vai ser rapidinho..."

Soltei um riso abafado na hora. O áudio tinha dezesseis minutos.

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KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

COITADA DA SKY!!!

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