POV/ Senhor C
Afrouxei a fivela com um movimento rápido e removi a bola de borracha da boca dela. Moon soltou uma lufada de ar pesada, movendo a mandíbula por alguns segundos para aliviar a pressão do plástico. Aproximei o meu rosto do dela, observando a linha dos seus lábios vermelhos e desalinhados.
— O que você achou, ratinha? — perguntei, a minha voz saindo grave.
— Foi... uau — ela arfou, os olhos verdes fixos nos furos da minha máscara. — Foi a coisa mais incrível e intensa que eu já senti na minha vida.
Soltei uma risada curta, sentindo o meu peito vibrar contra o dela.
— Isso não foi a coisa mais intensa, ratinha. Porque você não tem a menor ideia do que eu vou fazer com você a seguir.
Passei os dedos enluvados pela lateral do rosto dela, limpando o rastro da lágrima seca.
— Você está bem? — questionei.
— Estou — ela respondeu em um fio de voz.
— Eu já te falei uma vez e vou repetir agora: eu nunca vou machucar você de verdade. Mas isso não significa que eu não vá te causar dor. A dor não é uma coisa ruim, entende? Ela te acorda. Ela te faz sentir viva. Posso fazer você se sentir assim novamente?
Moon sustentou o meu olhar e, de um jeito inesperado, deu uma piscada leve para mim. Um meio sorriso trêmulo surgiu no canto da boca dela.
— Se eu disser que não... você vai parar?
Eu ri alto da audácia dela, apreciando aquela fagulha de petulância que eu adorava esmagar.
— Nunca. Só vou parar quando você desmaiar nos meus braços.
— Você é louco... — ela murmurou, o sorriso se abrindo um pouco mais entre a respiração sôfrega.
— Por você, ratinha. Só por você.
Me aproximei ainda mais do corpo dela, fazendo a estrutura da cama de madeira ranger sob o meu peso. Peguei a tesoura que estava caída no lençol. Segurei o tecido da meia arrastão na altura da coxa dela e rasguei a malha com as mãos, expondo ainda mais a pele clara. Em seguida, deslizei a lâmina de metal por baixo da seda da calcinha preta e cortei o fundo do tecido com um estalo seco. Moon soltou um gemido sutil quando eu a puxei um pouco mais para baixo no colchão, ajeitando o corpo dela na posição que eu queria.
Subi na cama, abrindo as minhas pernas para me posicionar exatamente no meio das coxas abertas dela. Liguei a Violet Wand novamente. O zumbido elétrico preencheu o espaço e a faísca azulada brilhou na penumbra do abajur. Comecei a passar o eletrodo de vidro lentamente pelas pernas brancas dela, descendo pelos tornozelos, subindo pela sola dos pés, riscando a linha da barriga até alcançar a pele sensível do pescoço. O corpo dela inteiro tremia com os pequenos estímulos.
— Coloque a língua para fora, Moon. Agora — ordenei, inclinando o meu tronco.
Subi um dos meus dedos até a boca dela, enfiando a ponta entre os seus dentes para que ela sugasse, enquanto eu iniciava uma trilha de beijos e pequenas mordidas pelo seu corpo. Beijei o topo dos seios, a linha desenhada da clavícula, mordiscando a pele com cuidado até alcançar o queixo, a lateral da bochecha e a ponta do nariz.
Parei a minha boca a milímetros da dela. Passei a ponta da minha língua pelo contorno dos seus lábios trêmulos. Moon tentou buscar o contato de forma afoita, colocando a língua para fora em um movimento desajeitado e cheio de pressa.
— Espera... — ordenei contra a pele dela, freando o avanço.
Ela puxou o ar com força, a respiração batendo quente no meu rosto.
— Eu... eu não sei fazer isso direito — ela confessou, a voz falhando pelo nervosismo.
Soltei uma risada baixa e rouca, colando os meus lábios nos dela com total lentidão.
Não havia pressa. Pressionei a minha boca contra a dela com cuidado, colando os nossos lábios e sugando o seu lábio superior com uma pressão firme, sentindo a textura macia ceder sob o meu toque. Moon soltou um gemido abafado, o coração dela martelando tão forte que eu conseguia sentir o impacto contra o meu próprio peito. Segurei o maxilar dela com os dedos enluvados, inclinando a cabeça dela de leve. Abri a boca dela devagar com a minha e, com extrema lentidão, deslizei a minha língua para dentro.
Minha língua envolveu a dela em um movimento longo, explorando cada canto da sua boca quente e provando da sua entrega, a lingua dela se entrelaçou com a minha, batemos os dentes um no outro e ela riu com a boca a minha, chupei seu lábio inferior e com o tempo nossas linguás se encaixaram.
O som das nossas respirações misturadas e altas preenchia o silêncio do quarto escuro, tornando-se o único ruído entre nós. O calor subia dos nossos corpos colados, o suor fino colando a minha pele na dela enquanto o beijo se estendia, tornando-se cada vez mais lento, profundo e sufocante, sugando todo o ar dos nossos pulmões até que não restasse mais nada além do estalo úmido dos nossos lábios se separando devagar na penumbra.

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