"Lorena"
O trajeto até a escola foi preenchido pela empolgação de Alice. A menina estava radiante porque o pai a levava e buscava na escola com frequência agora. Mas no banco da frente, a tensão era palpável e crescia à medida que nos aproximávamos da escola.
Quando paramos no portão, o Professor Renato estava lá, de sentinela como sempre. Aquele homem parecia o porteiro e não o professor, estava sempre ali no portão observando o entra e sai! Mas, ao ver o SUV preto e o olhar de desafio que o Érick lançou ao descer do carro para abrir a porta para mim, o professor apenas se virou e caminhou apressado para dentro.
- Melhor assim! - O Érick balbuciou perto do meu ouvido enquanto eu ajudava Alice com a mochila.
Eu não aguentei. Soltei uma risadinha baixa, cúmplice, aliviada por ter me livrado da insistência do professor, mas um pouquinho decepcionada porque não teria o Érick me agarrando em um canto da casa ou dentro do carro só para me avisar que o professor jamais me tocaria como ele. O que ele não sabia é que ninguém nunca havia me tocado como ele e eu duvidava muito que existisse outro homem no mundo que me despertasse as sensações que Érick Albelini despertava.
- Você é impossível, Albelini. - Eu sussurrei.
- Você ainda não viu nada! - Ele murmurou, o tom voltando a ser o do homem que não aceita nada menos que a vitória total.
A Alice se despediu e entrou na escola e, assim que ficamos sozinhos no carro para o trajeto de volta, o clima mudou drasticamente. O Érick não deu a partida imediatamente. Ele se virou para mim, o rosto voltando àquela seriedade analítica que me dava calafrios.
- Agora, Lorena... sem Alice, sem amigos e sem lingerie dourada para me distrair... - Ele deu um longo suspiro segurando a gravata entre os dedos e olhando para ela. Mas logo voltou a sua atenção para mim, a voz voltando ao tom de cobrança. - Vamos falar sobre o Dr. Mariano. E por que você está tentando resolver um problema jurídico de tamanha magnitude sozinha, sabendo que com a minha ajuda isso desaparece em menos de uma semana.
- Eu já te disse, Érick. Nós já falamos sobre isso. - Eu tentei manter a voz firme.
- Sim e eu avisei que o meu advogado ligaria para o seu. Lorena, vamos, tem algo acontecendo, eu vi a movimentação do seu advogado. Ele está tentando blindar algo que você não quer que eu veja. Por que você prefere correr riscos sozinha do que confiar em mim? O que te assusta tanto a ponto de você preferir manter esse muro entre nós? O que você está escondendo de mim, que te faz preferir enfrentar tudo isso sozinha à ter minha proteção?
Eu senti o ar faltar. A Scarlat estava arranhando a minha garganta, implorando para sair. Eu abri a boca para falar, para confessar que a mulher pela qual ele era obcecado na boate e a que ele possuiu no seu quarto eram a mesma pessoa. Eu ia falar. Eu ia confessar. mas o celular dele, jogado no console do carro, vibrou violentamente.
O Érick atendeu no viva-voz, irritado pela interrupção.
- Julian, agora não é um bom momento... - Ele começou a falar, mas foi interrompido pela voz apressada do amigo.
- Érick, você precisa vir para a empresa agora! - A voz de Julian estava tensa, desprovida de qualquer vestígio do bom humor da noite anterior. - O conselho de administração convocou uma reunião de emergência para as dez horas. Alguém vazou informações sobre os seus gastos pessoais com a investigação do golpe e eles estão alegando que você está usando recursos do Grupo Albelini para fins particulares. Estão questionando sua liderança, Érick. Dizem que você está "distraído" demais.

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