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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 113

"Lorena"

Enquanto eu ouvia os nomes, as cidades, os termos técnicos que eu conhecia tão bem, cada palavra pesava como chumbo. O Érick estava movendo montanhas de dinheiro, arriscando a estabilidade do seu próprio império para calar os homens que ousaram pensar em me usar para controlá-lo.

Eu tinha uma empresa de médio porte antes, um negócio que eu achava sólido, e seria se eu não tivesse sido roubada, mas eu não assumia riscos desnecessários ou que colocassem o negócio em risco. E olhando para trás, eu percebia como era tudo um outro mundo. E a diferença ficou ainda maior quando eu entendi que o Carlos Eduardo me traiu e me roubou por um romance de escritório, enquanto o Érick estava travando uma guerra de tronos.

Um misto de gratidão e pavor me inundou. Ele me amava a ponto de arriscar todo o seu mundo, mas e se ele perdesse tudo? Se o Conselho decidisse cavar o meu passado para se defender, eles não encontrariam apenas uma fraude corporativa limpa pelos advogados. Eles encontrariam o rastro de segredos da Scarlat. E a Scarlat não era apenas um grão de areia, ela era a falha que eles precisavam para acabar com o Érick.

Eu me sentia como uma impostora vestida de rainha. Sendo protegida por todos que nem sonhavam que eu era uma fraude. Mas no fim, quando o jantar do Conselho chegasse, seria a minha capacidade de mentir, ou de ser a mulher que o Érick acreditava que eu era, e o quão bem a Scarlat havia sido enterrada que decidiria quem ganharia a guerra.

O Érick chamou o motorista que, com a postura elegantemente profissional, ouviu atentamente as ordens do chefe para que eu não saísse do carro na escola e que ninguém se aproximasse. Ele estava colocando uma redoma em mim e o peso dessa redoma começava a me sufocar.

Eu saí do escritório deixando um campo de batalha armado. Aqueles três homens eram tubarões nadando no mundo empresarial, eram predadores que não mediam esforços para chegarem onde queriam. E eles não tinham medo do risco. Pela primeira vez, eu entendi a magnitude do mundo no qual eu tinha sido lançada quando entrei naquele escritório pretendendo fazer uma simples entrevista de emprego.

Eu me sentei no banco traseiro do carro e, pela janela, eu via o mundo passar, mas sentia que as paredes em volta de mim estavam sendo cercadas. o Sr. Alberto dirigia com a precisão de sempre, mas seus olhos encontravam os meus pelo retrovisor com uma frequência incomum.

- O Sr. Albelini deu instruções muito precisas, Srta. Valente. Ele parece particularmente zeloso com a segurança da família esta semana. - O motorista comentou, quebrando totalmente o protocolo pela segunda vez em todo esse tempo que nos conhecíamos.

- Ele está preocupado, Sr. Alberto. Acho que o senhor já deve ter percebido que o mundo lá fora não está lidando muito bem com as escolhas dele.

- O mundo lá fora raramente entende o que acontece dentro de certos portões, senhorita. - Ele fez uma pausa, o tom de voz calmo, mas carregado de intenção.

Eu olhei para o retrovisor, encontrando os olhos dele. O Sr. Alberto não era apenas um motorista, ele era uma sombra que via tudo e era fiel aos Albelini como se isso estivesse no DNA dele.

Capítulo 113: O Peso da Coroa de Ouro 1

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