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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 104

"Lorena"

Eu havia encerrado a chamada com o Dr. Mariano há minutos, mas a notícia de que havia alguém quitando as dívidas que o crápula do Carlos Eduardo havia me deixado ainda vibrava no ar como um zumbido incômodo. Eu tinha certeza que aquilo era um mau sinal, mas eu não conseguia imaginar quem poderia estar fazendo isso. Eu olhei para o Érick.

- Lô, você precisa pensar. Alguém está fazendo isso. Quem você conhece que teria esse dinheiro? Que conseguiria agir nas sombras? - A pergunta dele me deixou em um beco sem saída, porque na verdade, não tinha ninguém.

- A única pessoa que eu conheço que poderia fazer isso é você, Érick. - Eu o encarei.

- Dessa vez não fui eu. Alguém da sua antiga vida? - Ele insistiu.

- Impossível. - Eu dei uma risada amarga. - Ninguém com tanto dinheiro e, mesmo que tivessem, nenhum deles foi capaz de me hospedar sequer, me negaram um teto e comida, Érick. Não pagariam as minhas dívidas. Aliás, o advogado que trabalhava para a minha empresa, amigo do Carlos Eduardo, foi bem claro, nenhum deles me suportava.

Ele prendeu a respiração por um momento, seus olhos pareciam horrorizados.

- Espera, você disse que uma amiga te ajudou quando você foi despejada...

- A Dalva. Ela era a minha faxineira. Foi a única pessoa que me ofereceu ajuda. Ela me deu teto e comida. Até me emprestou dinheiro. Ela estava no apartamento quando o oficial de justiça chegou. Eu devo a minha vida a ela, Érick. Ela me salvou de... nem posso imaginar qual inferno. - Eu sequei uma lágrima que escapou. - Aí, onde a Dalva mora eu conheci a Marcelina e o Mariano.

- Você está dizendo que...

- Que todos aqueles que bebiam e comiam na minha casa, que se diziam meus amigos, que estavam na folha de pagamentos da minha empresa, todos me deram as costas. E o Osório, o advogado, ainda debochou de mim, me disse para não tentar culpar ninguém, que a única culpada era eu, que eu dei tudo para o Carlos Eduardo.

- Isso é... eu vou acabar com esse canalha! - O Érick bufou.

- Não, ele está no passado. - Eu toquei o rosto dele. - Você já tem muitas preocupações aqui no presente. Tem o Conselho da sua empresa. Tem aquelas mães invejosas da escola da Alice. Tem o Albuquerque. Vamos tentar não encontrar novos problemas, pode ser? - Eu pedi, mas ele pareceu não querer concordar.

- Desculpa, Lô, mas cada um deles vai ter o que merece, a começar por esse advogado que com certeza está até o pescoço nesse golpe que o tal Carlos Eduardo te aplicou. - Ele se afastou, parou em frente a janela, tirou o celular do bolso e fez uma ligação. - Dr. Barros, o advogado que cuidava dos assuntos da empresa da Lorena... Osório. Ele apoiou o golpista. Investigue. O senhor sabe o que fazer.

Ele encerrou a chamada e continuou parado junto à janela, olhando para fora, como se contemplasse o dia, mas os seus ombros largos tensos e a mandíbula tão travada que eu podia ver o músculo saltar em seu rosto, não me deixavam enganar, ele estava irritado, mas não era uma irritação fevilhante e quente que faz agir de impulso. Era mais como uma raiva gelada, que faz parar e arquitetar um plano de vingança.

- Érick... - Eu comecei, mas ele levantou a mão, pedindo silêncio.

Ele pegou o celular e digitou algo rápido. Segundos depois, seu telefone tocou.

Capítulo 104: Deixe os problemas lá fora 1

Capítulo 104: Deixe os problemas lá fora 2

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