— Ivana, o que faz aqui? — Disse um homem, constrangido.
— Vim me juntar à festa. Por quê, não sou bem-vinda? — Ivânia sentou-se em uma poltrona vazia, pegou uma garrafa de vinho da mesa e serviu-se de meia taça.
— Bem-vinda, claro que é bem-vinda. — O homem ficou cada vez mais embaraçado e, por fim, sabiamente se calou.
Ivânia girava lentamente a taça em sua mão, seus olhos sedutores percorrendo a todos.
— Falem. Por que ficaram mudos de repente?
O quarto ficou em silêncio absoluto, ninguém falou.
Apenas Otoniel a encarava com um olhar frio.
— Já que vocês não falam, eu falo. — Ivânia tomou um gole de vinho, seu olhar para Otoniel estava cheio de sarcasmo.
— Quando a família Serpa faliu, você vagava pelas ruas como um cão sem dono. Nenhum desses seus amigos interesseiros te deu atenção, e Graciele, seu amor, te evitava como se você fosse uma praga. Fui eu, com meu coração mole, que te acolhi.
— Se eu tivesse criado um cachorro por tantos anos, ele pelo menos saberia ser grato. Mas um lobo ingrato só sabe morder a mão que o alimenta!
Houve um momento de silêncio mortal na sala, e os homens se entreolharam.
O homem que mais zombava antes franziu os lábios e falou em defesa de Otoniel.
— Ivana, quando Otoniel estava em apuros, você realmente o ajudou. Mas ele também ficou noivo de você. Quem não sabe que o amor de Otoniel é a filha da família Torres? Você o forçou a ficar noivo de você, não foi para cobrar um favor?
Os belos olhos de Ivânia se voltaram para ele, cheios de desdém e desprezo.
— Sávio Amaral, ouvi dizer que sua família está com problemas nos negócios e está planejando um casamento com a família Andrade para conseguir ajuda. Vou transmitir suas palavras exatamente como disse para a família Andrade, para que eles não pensem que a filha deles está se casando por gratidão e sendo chantageada.
— Você não se atreve! Ivana, sua desgraçada, não procure a morte... — Sávio, atingido em seu ponto fraco, explodiu em fúria.
Quando estava prestes a agir, ouviu um estrondo.


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