Heloisa entendeu que os jovens precisavam se dedicar às suas carreiras e não insistiu mais.
Em vez disso, virou-se para Jefferson e disse:
— É perigoso para uma garota como Ivânia voltar sozinha. Jefferson, acompanhe-a, por favor.
Ivânia estava prestes a recusar, mas viu que Jefferson já havia pegado seu casaco e as chaves do carro do cabideiro, caminhando em direção à porta.
Ivânia o seguiu, e os dois saíram da casa da família Rodrigues.
O carro de Jefferson estava estacionado na garagem subterrânea do condomínio.
Ivânia sentou-se no banco do passageiro e, depois de colocar o cinto de segurança, deu-lhe o endereço do set de filmagem.
Jefferson ligou o carro, que saiu da garagem e começou a dirigir em velocidade constante pela avenida larga.
O crepúsculo se instalava, as luzes da cidade começavam a se acender, e os postes de luz lançavam um brilho amarelado e intermitente dentro do carro.
O silêncio no veículo era total; nenhum dos dois falava.
Finalmente, o toque estridente de um celular quebrou o silêncio.
O telefone de Jefferson estava conectado ao sistema Bluetooth do carro, e quando a chamada foi atendida, a voz ecoou pelos alto-falantes.
Era a voz de Zenobia.
— Jefferson, minha barriga dói tanto...
Jefferson desconectou o Bluetooth e levou o celular ao ouvido.
Algo mais foi dito do outro lado da linha, e a expressão de Jefferson tornou-se mais séria.
— Não se assuste. Peça a um dos empregados para ligar para o 192 primeiro. Eu chego aí em breve.
Depois de dizer isso, Jefferson encerrou a chamada.
Sua mão longa e elegante ainda segurava o volante, e o carro continuava a avançar rapidamente.
Embora Ivânia não tivesse ouvido o resto da conversa de Zenobia, ela supôs que a mulher não estava se sentindo bem e queria que Jefferson fosse ficar com ela.
Era compreensível.
Quando se está doente e vulnerável, mesmo cercado por empregados, o que mais se deseja é a companhia da pessoa amada.

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