As pernas de Ivânia de repente pesaram como chumbo, impossibilitando-a de se mover.
Ela se virou lentamente, olhando para o piano de cauda preto no centro da mansão, onde Jefferson estava sentado, seus dedos longos e bem definidos percorrendo as teclas pretas e brancas.
Quando ele ergueu os olhos casualmente, seus olhares se encontraram com os de Zenobia.
Ivânia sentiu sua visão ficar cada vez mais turva, a ponto de não conseguir mais distinguir o rosto dele.
O som do piano continuava em seus ouvidos, tão familiar, e ao mesmo tempo, tão estranho.
Muitas pessoas rodeavam o piano de cauda, mas Zenobia era a mais notável. Seu olhar seguia Jefferson constantemente, gentil e sorridente, focado e apaixonado.
E a música que ele um dia prometera tocar apenas para ela, agora, também podia ser tocada para outra pessoa.
Ao final da música, Jefferson se levantou do piano.
Zenobia se aproximou sorrindo, entregando-lhe o paletó que segurava.
— Foi uma pena você ter desistido do piano.
— Ganhamos umas coisas, perdemos outras. — Jefferson respondeu com indiferença, pegando o paletó.
— Não vai me acompanhar num dueto hoje? — Zenobia sorriu e perguntou novamente.
— Na próxima vez. — Disse Jefferson.
Os dois, lado a lado, formavam um belo casal. Os olhares de todos ao redor estavam sobre eles, repletos de elogios e admiração.
— Jefferson sempre foi muito discreto, raramente aparece em público. Não esperava que fosse tão bonito, jovem e promissor.
— A Srta. Ferreira é pianista, e o Sr. Ortega toca piano tão bem. Eles têm interesses em comum.
— A Srta. Ferreira é linda, talentosa, de família nobre, e ainda tem um namorado tão rico e poderoso como o Sr. Ortega. Ela é verdadeiramente a escolhida dos deuses, uma completa vencedora na vida.
— Sim, é uma inveja que não se pode imitar.
— Ouvi dizer que o Sr. Ortega é uma pessoa muito leal, que tinha sentimentos profundos por sua ex-namorada, mas infelizmente a moça faleceu.

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