Ela não tocava piano muito bem, mas cantava razoavelmente, conseguindo compensar suas falhas.
Ivânia hesitou por um momento antes de seus dedos finos e longos pousarem sobre as teclas pretas e brancas.
Fazia muito tempo que não tocava piano. Nunca aprendeu direito e já havia esquecido tudo. A única melodia que ainda lembrava era provavelmente "Amado".
Porque foi a música que Jefferson lhe ensinou. Sua mão repousava sobre a dele, seguindo seu ritmo, tocando juntos.
Ivânia baixou levemente os olhos e, seguindo a memória, seus dedos pressionaram as teclas.
Após a introdução, ela começou a cantar.
"Como pode ser gostar de alguém
E esse tal alguém não ser seu?
Fico desejando nós, gastando o mar
Pôr do Sol, postal, mais ninguém..."
Não era uma peça complexa, mas a voz clara de Ivânia soava celestial.
Desde o início da introdução, o olhar de Jefferson permaneceu fixo em Ivânia, profundo e indecifrável.
— Jefferson. — Zenobia sentiu um pânico inexplicável, ao vê-lo olhar para Ivânia. Ela o chamou suavemente, mas Jefferson parecia não ouvir, continuando a fitar intensamente a mulher ao piano.
Ao final da música, Ivânia se levantou, a mão sobre o peito, e curvou-se para a plateia em sinal de respeito.
Os aplausos ecoaram novamente, aprovando sua performance.
Em meio aos aplausos, Ivânia desceu do palco com elegância.
— Você parece sempre me surpreender. — Eduardo a recebeu com um sorriso, oferecendo-lhe uma taça de vinho.

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