Vanessa morava em um apartamento de luxo no centro da cidade, um imóvel de três quartos com pouco mais de cem metros quadrados.
Antes, era o lar de Vanessa e seu marido.
Agora, a foto de casamento deles ainda estava pendurada no quarto.
Na foto, o homem tinha uma aparência comum, alto e de ar bondoso, e Vanessa sorria docemente.
Vanessa contou que ela e o marido se conheceram na universidade e, depois de se formarem, ficaram em Santa Cruz do Sertão para construir uma vida.
Eles começaram do zero e, depois de alguns anos de luta, passaram de não ter nada a ter um carro e uma casa.
Sua vida se estabilizou e eles já planejavam ter um filho.
Mas quando Vanessa estava com dois meses de gravidez, seu marido foi assassinado.
Uma família feliz foi despedaçada em um instante.
Vanessa, com grande esforço, organizou o funeral do marido, mas talvez devido à dor avassaladora, perdeu o bebê que esperava.
Desde então, a vida de Vanessa se resumia à vingança.
Essa era sua única motivação para continuar vivendo.
— Não tenho refrigerante em casa, pode ser água mineral? — Vanessa pegou uma garrafa de água da geladeira e a entregou a Ivânia, antes de perguntar. — Por que você veio?
— Graciele se mudou da casa dos Torres, e Yasmin finalmente se lembrou que tem uma filha como eu. O amor materno dela transbordou ultimamente, e eu não aguento mais. Tive que me esconder aqui.
Ivânia continuou, depois de uma pausa.
— Já pedi a um corretor para procurar uma casa para mim. Assim que encontrar algo adequado, poderei me mudar.
— Não tenha pressa. Eu moro sozinha nesta casa, é muito vazia. Sua presença me fará companhia. — disse Vanessa.
Ivânia sorriu e assentiu, abrindo a garrafa de água para beber um gole, enquanto ouvia Vanessa falar sobre o caso de Sérgio.
Francisco havia confessado tudo e, com os livros de contabilidade como prova, as evidências materiais e testemunhais eram contundentes.
Seria muito difícil para Sérgio escapar da condenação.
A única dúvida era se a família Damasceno tentaria intervir.

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