Se fosse a Ivana original, ela certamente olharia com inveja, o coração cheio de anseio e mágoa.
Aquela pobre menina, que nunca conheceu o amor de pai ou mãe, não se importava tanto com joias. Ela só queria que sua mãe a amasse como amava sua irmã, mas esse desejo humilde nunca foi realizado, nem mesmo em sua morte.
— Este fim de semana é a festa de noivado da irmã com Henrique, não é? Na ocasião, também darei um grande presente à irmã. Espero que você goste. — Ivânia disse com um sorriso zombeteiro, antes de se virar e subir as escadas.
Ela voltou para seu quarto, tomou um banho, trocou de roupa e deitou-se na cama, jogando no celular.
Enquanto se divertia, ela notou a data na tela do celular: 17 de junho.
Em sua vida passada, ela morreu em 18 de junho. O tempo estava lindo naquele dia, o céu azul, sem uma única nuvem.
Num piscar de olhos, já se passaram seis anos desde sua morte.
Por ser o aniversário de sua morte.
No dia seguinte, Ivânia acordou surpreendentemente cedo.
O Cemitério dos Heróis de Santa Cruz do Sertão ficava nos arredores da cidade.
Ivânia dirigiu por quase duas horas para chegar lá.
O carro parou no pé da colina. Ela abriu a porta e olhou ao redor. Havia montanhas ondulantes por toda parte e, entre elas, lápides anônimas.
Os heróis repousam sob o solo sagrado. Naquele momento, a frase se tornou tangível.
Ivânia usava sapatos baixos hoje e subiu a trilha da montanha, passo a passo.
Ela procurou por um longo tempo até encontrar sua própria lápide.
Não havia nome na lápide, apenas seu número de identificação policial, selado para sempre.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Morte Também É Renascimento