O ar estava impregnado com um leve cheiro de sangue, e era difícil distinguir se era dela ou dele.
— Está muito ferida? — Perguntou Jefferson novamente.
— Acho que... não vou morrer. — Respondeu Ivânia, com a voz ligeiramente rouca e um toque de autodepreciação.
Jefferson não disse mais nada. Ele se sentou ao lado dela, mantendo uma distância socialmente apropriada.
Um longo silêncio se instalou novamente, tão profundo que o tempo parecia ter parado.
Jefferson encostou suas costas retas na parede, fechando os olhos para descansar.
Não se sabia quanto tempo passou, mas de repente, a pessoa ao seu lado soltou um gemido baixo e suave.
Jefferson abriu os olhos e virou a cabeça para olhar para Ivânia. Ela mantinha os olhos firmemente fechados, o rosto com um rubor anormal e a testa coberta de suor frio.
— Ivana, o que há com você? — Ele a chamou pelo nome, com a voz grave.
Ivânia abriu os olhos instintivamente, seus belos olhos amendoados estavam turvos e seu olhar, perdido, pousou nele.
— Jefferson, eu me sinto tão mal. — Disse Ivânia com os lábios ligeiramente curvados, em um tom de queixa. Claramente, a febre a deixara confusa, incapaz de distinguir o passado do presente.
Depois de falar, ela estendeu a mão por hábito para puxar a barra da roupa de Jefferson.
As pupilas escuras de Jefferson se contraíram. Ele, instintivamente, apertou a mão dela com força.
— Quem é você, afinal?
A dor aguda em seu pulso trouxe Ivânia um pouco de volta à realidade. Seus cílios tremeram levemente, e seu olhar focou lentamente nele.
— Quem eu sou? O Sr. Ortega não investigou? — Ivânia riu com escárnio, soltando a mão dele de seu pulso.

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