O carro ainda estava estacionado no mesmo lugar, o motorista não a havia seguido e os guardas não notaram sua figura discreta.
Chegou a hora.
Ela não hesitou, virou-se e entrou rapidamente na mata ao lado.
Sob seus pés havia um caminho de terra acidentado, coberto de mato, e as pedras soltas machucavam seus pés.
A noite estava escura como breu, não se enxergava um palmo diante do nariz. Ela só podia tatear o caminho, tropeçando a cada passo, guiada pela memória e pela fraca luz da lua.
Ela escorregou várias vezes e quase caiu, tendo que estender as mãos para se agarrar firmemente aos troncos das árvores próximas para se equilibrar.
As antigas feridas em suas pernas começaram a doer levemente com o esforço físico intenso; cada passo trazia uma dor repuxada.
Sem saber por quanto tempo havia caminhado, o som fraco de vozes humanas e o ronco de veículos começaram a chegar aos seus ouvidos.
O coração de Renata se encheu de alegria, ela sabia que estava prestes a se aproximar do interior da linha de bloqueio.
Ela diminuiu o passo, afastou os galhos à sua frente com cuidado, e espiou para fora com metade do rosto.
A cena diante de seus olhos a fez prender a respiração instantaneamente.
Toda a área estava sob controle rigoroso. Tendas improvisadas estavam alinhadas, os faróis dos veículos se cruzavam, silhuetas se moviam de um lado para o outro. Todos caminhavam apressados e com expressões sérias.
O ar estava impregnado de uma tensão extrema, como se uma tempestade estivesse prestes a cair no segundo seguinte.
No alto havia postos de observação, onde guardas com binóculos vasculhavam os arredores sem parar.
No chão, havia patrulhas totalmente armadas, marchando em sincronia e com olhares afiados.
Em cada cruzamento, em cada posição crucial, havia guardas posicionados. A segurança era tão impenetrável quanto uma fortaleza de ferro.
Aquele não era, de forma alguma, o local de uma missão comum.
Aquilo era claramente um centro de comando militar temporário.
O coração de Renata disparou e suas palmas suavam frio.
Ela finalmente entendeu por que Daniel a havia impedido de entrar, por que havia bloqueado todas as informações e por que não permitia que ninguém se aproximasse.
Aquele lugar era perigoso demais.
Tão perigoso que, apenas de olhar de longe, ela já sentia o coração acelerar de medo.
Mas, quanto mais perigoso era, mais ela se preocupava com o homem lá dentro.
Ele estava bem ali, naquela atmosfera sufocante e tensa, comandando, planejando, arriscando tudo e, possivelmente, enfrentando a própria morte.
Renata acalmou as batidas aceleradas de seu coração, prendeu a respiração e, usando as árvores como cobertura, rastejou para a frente aos poucos.
Ela não ousava fazer o menor ruído, não ousava fazer nenhum movimento desnecessário; como uma sombra, movia-se silenciosamente pela escuridão.
Seus olhos procuravam desesperadamente pela figura familiar no meio da multidão.
As roupas pretas, as costas retas, a aura fria e pesada...
Ela conhecia tudo tão bem que um único olhar bastaria para reconhecê-lo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...