Renata chegou pontualmente ao local do simpósio, de acordo com o combinado com o médico.
O evento acontecia em um tranquilo centro de intercâmbio acadêmico no centro da cidade, com uma iluminação suave.
As pessoas que circulavam estavam bem vestidas e possuíam a postura serena de profissionais da área.
Aquela era a primeira vez, desde a sua amnésia, que ela realmente voltava para a sua própria área.
O médico a acompanhava, fazendo introduções em voz baixa ao longo do caminho e ocasionalmente prestando atenção nas pernas dela: "Vá devagar, a sua perna ainda não sarou completamente, não force."
Renata assentiu suavemente e o seu olhar varreu o salão de forma tranquila.
Muitos rostos pareciam familiares, mas ela não conseguia lembrar os nomes. A memória era como um vidro fosco: estava bem ali perto, mas ela não conseguia tocar em contornos claros.
Mas assim que os outros falavam, aquele tom de intimidade e respeito a fazia entender...
A Renata do passado era verdadeiramente reconhecida e respeitada naquele círculo.
Assim que chegaram perto da mesa de credenciamento, um professor mais velho se aproximou dela proativamente, com um sorriso amigável: "Renata, quanto tempo! Ouvi dizer há algum tempo que você não estava se sentindo bem, mas agora parece muito melhor."
Renata sentiu um leve calor no coração e respondeu educadamente: "Obrigada pela preocupação, já estou muito melhor."
Logo em seguida, vários médicos jovens e pesquisadores se aproximaram um após o outro para cumprimentá-la. Alguns falavam sobre projetos em que haviam colaborado antes, outros mencionavam artigos que ela havia publicado, e alguns diziam sorrindo: "Sempre quis pedir alguns conselhos a você."
Cada olhar direcionado a ela carregava um respeito sincero, sem segundas intenções, sem ocultações, e sem aquelas complicações que esgotavam a sua mente.
Renata respondeu a todos com atenção, mantendo sempre um sorriso leve e educado no rosto.
Mesmo que a sua memória estivesse incompleta, o profissionalismo e a postura com as pessoas, que estavam gravados em seus ossos, não haviam se perdido nem um pouco.
Depois que alguns grupos a cumprimentaram, o médico sorriu e deu um tapinha em seu ombro: "Viu só? Não é muito bom sair e interagir com os colegas? A sua competência e a sua reputação estão aqui, ninguém pode tirar isso de você."
Renata ficou em silêncio por um momento e murmurou um "Hum" suave.
Ela de repente entendeu a intenção do médico.
Ele não queria que ela forçasse uma animação, mas queria que ela percebesse...
Que, mesmo tendo perdido a memória, ela continuava sendo a Renata, aquela médica e pesquisadora excelente, independente e respeitada.
O valor dela nunca fora definido por um relacionamento ou por uma pessoa específica.
Após o início oficial do simpósio, Renata acalmou completamente a sua mente.
O conteúdo do palestrante no palco era sólido e profundo, e as perguntas do público eram incisivas, mas educadas. Aqueles termos técnicos, direções de pesquisa e raciocínios clínicos despertaram lentamente os conhecimentos vagos nas profundezas de sua mente.
Havia coisas que, mesmo parecendo ouvir pela primeira vez, eram estranhamente familiares, como se ela já tivesse pensado, deduzido e até praticado inúmeras vezes.
Aquela sensação há muito esquecida, de plenitude preenchida por conhecimento e profissionalismo, dissipou aos poucos a confusão e a depressão dos últimos dias.
Acontecia que, quando se focava em uma coisa, era realmente possível esquecer temporariamente todos os problemas.
Acontecia que, quando ela voltava à área que dominava, a segurança que emanava de dentro para fora era algo que ninguém mais poderia lhe dar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...