Apoiando seu corpo fraco, ela se inclinou aos poucos, estendeu suas mãozinhas febris e segurou delicadamente o rosto dele, as pontas dos dedos acariciando a linha tensa do seu maxilar.
Daniel inteiro congelou.
Assim que ele passou pela porta, a viu encolhida no sofá, com o rosto muito vermelho e a respiração ofegante, claramente com febre alta.
Antes que ele tivesse a chance de dizer qualquer coisa, foi abraçado por ela.
Renata, como uma gatinha que encontrou calor, enfiou a cabeça no peito dele, a bochecha encostada no seu peito frio, porém firme, sentindo os batimentos cardíacos profundos e fortes dele.
No segundo seguinte, ela ergueu ligeiramente a cabeça, esfregou-se suavemente contra o pescoço dele e, em seguida, deu um beijo leve e suave em seu pomo de adão proeminente.
Um beijo gentil, quente e carregado de uma vulnerabilidade doentia.
"Uhm..."
Um gemido abafado, reprimido ao extremo, escapou da garganta de Daniel. O seu pomo de adão moveu-se violentamente, as veias de seu pescoço saltaram instantaneamente e todos os músculos do seu corpo ficaram tão tensos que tremiam.
A razão, naquele momento, estava prestes a se romper.
Ele serrou os dentes com força, reprimindo ferozmente as emoções agitadas no fundo do seu coração e o desejo que beirava a perda de controle. Suas mãos pairavam no ar, sem ousar abraçá-la, mas sem ter coragem de afastá-la.
Ela estava com febre, delirando pela febre, sem conseguir distinguir entre a realidade e o sonho.
Ele não podia tirar proveito da vulnerabilidade dela.
Daniel fechou os olhos e forçou todas as distrações para baixo, sobrando apenas a dor no coração e a culpa.
Ele a afastou delicadamente, colocou-a de volta no sofá e a cobriu bem com o cobertor, antes de se virar e andar rapidamente para a cozinha.
Ligou o fogão, e a chaleira zumbiu.
Em pouco tempo, a água ferveu.
Ele pegou o remédio de resfriado que já havia preparado antes, colocou água morna em um copo e testou a temperatura antes de retornar ao sofá. Ele se abaixou, observando o rostinho vermelho de febre dela, a voz extremamente leve e gentil:
"Renata, tome o remédio."
"Depois de tomar o remédio, você não vai se sentir tão mal."
Renata estava tonta naquele momento, o corpo todo dolorido e exausto, tão mal que as lágrimas caíam sem parar, e sua cabecinha balançava de um lado para o outro: "Não quero tomar... é muito amargo..."
"Eu não vou tomar remédio..."
Ela empurrou a mão dele, os cílios molhados e o rosto coberto de lágrimas, parecendo especialmente digna de pena.
O coração de Daniel partiu-se em pedaços.
Mas o remédio precisava ser tomado.
Se aquela febre alta continuasse, poderia afetar o cérebro dela, causar uma pneumonia, e algo muito grave aconteceria.
Sem ter outra escolha, ele teve que endurecer o coração.
Daniel respirou fundo. Com uma das mãos pegou o comprimido, segurando-o suavemente entre dois dedos, e com a outra mão segurou levemente o maxilar dela. Sem fazer muita força, conseguiu fazê-la abrir um pouco a boca.
A voz dele era grave e rouca, excepcionalmente gentil, persuadindo-a palavra por palavra: "Seja boa."
"Abra a boca."
"Engula."
Renata foi forçada a inclinar a cabeça para trás, com a boquinha ligeiramente aberta.
Com um leve empurrão das pontas dos dedos, ele colocou o comprimido dentro da cavidade oral quente dela. Inadvertidamente, seus dedos tocaram os lábios macios e a ponta quente e úmida da língua, sentindo uma camada de calor e maciez.
O toque daquele instante foi tão delicado, quente e macio que o deixou extasiado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...