O coração de Daniel apertou subitamente.
Ele ficou em silêncio.
Renata respirou fundo suavemente, com um traço muito leve de autodepreciação passando pelo fundo de seus olhos, a voz calma quase beirando a frieza, palavra por palavra: "Você queria dormir comigo e já se aproveitou do meu momento de vulnerabilidade."
"Você me quer a salvo, isso é apenas um desejo comum da sua parte."
Ela ergueu os olhos, olhando diretamente para ele, com o olhar límpido: "Então, quem você quer que me proteja e me mantenha a salvo?"
"Que tal... você me apresentar alguém?"
"Me apresentar alguém que possa estar comigo abertamente, que possa me proteger com toda a legitimidade, que não se aproveite da minha vulnerabilidade e que não me deixe sem sequer ter memórias."
"O que você acha?"
Cada palavra foi como uma faca, cravando-se com precisão no lugar que mais lhe doía, onde ele se sentia mais inferior e onde menos ousava tocar.
Daniel ficou parado onde estava, a cor sumindo de seu rosto pouco a pouco, até ficar mortalmente pálido.
Ele olhou para a mulher à sua frente que, embora não se lembrasse do passado, acertava em cheio o seu ponto fraco com cada palavra.
Daniel estava parado na porta, as pontas dos dedos apertando a maçaneta com tanta força que os nós ficaram brancos.
Aquelas palavras lúcidas e afiadas de Renata cortaram todas as suas máscaras, camada por camada, como lâminas —
Seu autocontrole, sua proteção, seu medo de se aproximar, tudo se tornou pálido e impotente diante do questionamento direto dela.
"Você me apresenta alguém... que possa estar comigo abertamente, o que acha?"
O olhar dela era calmo, sem raiva, sem mágoa, e até mesmo sem o menor traço de emoção, mas isso o sufocava mais do que qualquer acusação.
O pomo de adão dele moveu-se bruscamente, a garganta seca e apertada, e só depois de um bom tempo ele conseguiu espremer uma frase em voz muito baixa e rouca: "... Encontre você mesma."
Três palavras, leves como o vento, mas pesadas o suficiente para esmagar o coração.
Depois de dizer isso, ele foi embora.
O interior do apartamento voltou a ficar silencioso.
Renata manteve a mesma postura, recostada no sofá, com os olhos baixos e os cílios longos escondendo as emoções no fundo dos olhos.
Um momento depois, ela soltou um leve suspiro, com a voz tão baixa que só ela mesma podia ouvir.
Foi embora.
Como esperado, assim que foi desmascarado, ele só soube fugir.
Ela não se levantou para ir atrás dele, nem tentou impedi-lo de forma alguma, apenas sentiu uma dorzinha leve puxar naquele espaço inexplicavelmente vazio no fundo do seu coração.
Ela disse a si mesma que isso era o melhor.
Traçar um limite, não se envolverem mais, sem deverem nada um ao outro.
Mas por que seu coração se sentia tão sufocado?
Não muito tempo depois.
Ding-dong —
A campainha tocou abruptamente.
Renata ficou levemente surpresa.
Ele já voltou tão rápido?
O coração dela deu um salto inexplicável, sem saber dizer se era expectativa ou irritação; ela se apoiou no sofá para tentar se levantar, mas, lembrando-se da perna machucada, não teve escolha a não ser ficar onde estava e dizer com frieza: "A porta está destrancada."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...