Renata não soube dizer a que horas caiu no sono. Ela só sabia que, antes de dormir, o quarto estava muito silencioso, silencioso o bastante para que pudesse ouvir a respiração calma e profunda dele.
Aquele som trazia um conforto inexplicável.
Uma noite sem sonhos.
Na manhã do dia seguinte, o primeiro raio de sol atravessou a fresta da cortina e iluminou o quarto, caindo de forma quente sobre as pálpebras dela.
Renata abriu os olhos lentamente.
A sua mente ainda estava um pouco confusa, e a sua visão foi focando aos poucos.
No segundo seguinte, todo o seu corpo enrijeceu-se de leve.
Daniel estava sentado na cadeira ao lado da cama. O seu tronco estava ligeiramente inclinado para a frente, e a cabeça estava encostada na beira da cama. A sua respiração estava compassada; ele claramente havia adormecido.
Ele estava em sono profundo, mas as sobrancelhas continuavam levemente franzidas, como se estivesse carregando algum fardo até mesmo em seus sonhos.
A luz do sol incidia sobre o seu rosto de traços bem definidos, atenuando a frieza típica dele e acrescentando uma rara suavidade, o que também deixava ainda mais evidente o seu inescondível cansaço.
Ele não havia ido embora durante toda a noite.
Permaneceu ali ao lado da cama, guardando-a a noite inteira.
O coração de Renata deu um solavanco.
Uma dor fina e indescritível espalhou-se rapidamente.
Esse homem.
Apesar de estar coberto de ferimentos, apesar de ter tantos problemas para resolver, e de ser rejeitado e mantido à distância por ela repetidas vezes, ainda assim ele ficou ali montando guarda sem dizer uma palavra.
Como uma sombra silenciosa.
Sem pedir por respostas, sem se aproximar, querendo apenas que ela ficasse em segurança.
Renata permaneceu paralisada, apenas observando silenciosamente o rosto adormecido dele por muito, muito tempo.
Aquele pensamento no fundo do coração surgiu de forma desesperada mais uma vez—
"Eu preciso recuperar a minha memória."
Não importava o quanto doesse, fosse difícil ou o quanto aquilo a destruísse emocionalmente; ela precisava se lembrar.
Ela precisava saber qual era o papel exato que o homem à sua frente havia desempenhado em sua vida.
Ela precisava saber se o passado deles havia sido doce, doloroso, ou se as suas vidas haviam se entrelaçado até os ossos.
Ela precisava saber por que, mesmo após perder a memória, o seu coração ainda palpitava, sofria e entrava em pânico por causa dele.
Se não se lembrasse, ficaria para sempre daquele jeito: como uma estranha, observando a dedicação dele por ela, mas sem coragem de aceitar, sem poder admitir e sem conseguir se desapegar.
Enquanto ela estava perdida em pensamentos, Daniel moveu-se suavemente de repente.
Os cílios dele tremeram, e ele abriu os olhos devagar.
Assim que a visão clareou, a primeira reação dele não foi esfregar os olhos e nem esticar o corpo dolorido, mas sim olhar bruscamente para ela na cama. A voz saiu com a rouquidão matinal típica de quem acabou de acordar, mas estava cheia de pressa e nervosismo?
"Acordou? Está sentindo alguma dor?"
"Quer beber água primeiro? Ou comer? Eu vou comprar o que você gosta..."
Uma enxurrada de perguntas escapou-lhe da boca, todas girando em torno dela.
Foi como se o desconforto de ter dormido mal encolhido e a exaustão tivessem sumido completamente no exato momento em que abriu os olhos e a viu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...