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A Glória da Ex-Esposa romance Capítulo 1581

As luzes do camarote focavam-se apenas em uma pequena área da mesa; todo o redor estava envolto em uma escuridão impenetrável.

Elias, sentado no lugar principal, batia suavemente as pontas dos dedos no apoio de braço do sofá. Seu rosto não continha nenhum traço de afabilidade diurna, revelando apenas a frieza e o alerta característicos de um negociante implacável.

À sua frente sentavam-se dois ou três homens de silhuetas pouco nítidas. Conversavam em voz baixa, utilizando termos obscuros e substituindo qualquer referência direta a locais por pronomes.

Gregório, mantendo a cabeça baixa, disfarçava-se como um garçom inexperiente cujo único dever era servir as bebidas, sem ousar desviar o olhar. Seus movimentos eram lentos e estáveis enquanto enfileirava os copos um a um.

Ninguém percebeu que, por dentro de seu moletom, uma microcâmera registrava silenciosamente os contornos humanos, as vozes e a atmosfera daquele camarote de forma implacável.

Ele não realizou nenhuma ação supérflua: não interrompeu, não ergueu os olhos e não permaneceu mais tempo do que o necessário.

Apenas gravou.

Como o esperado, o diálogo daquele grupo era extremamente dissimulado; nem meia palavra sobre o teor da transação foi dita, e até mesmo a nomenclatura dos produtos era velada sob codinomes.

A única frase clara, fundamental, que ecoou nos ouvidos de Gregório foi: “Amanhã de manhã cedo, encontro no cais de costume; acertaremos os pormenores na hora.”

Cais de costume... exatamente o mesmo porto fronteiriço onde Sófia e Elias inspecionaram as cargas naquele dia.

O coração de Gregório pesou.

Como o imaginado.

Aquele lote de material matutino era um disfarce; os verdadeiros lucros viriam no dia seguinte.

Ele ajeitou a última garrafa de água, curvou-se levemente e posicionou-se para se retirar do ambiente.

Nesse instante —

“Espere.”

Elias falou subitamente.

Os passos de Gregório hesitaram, sua cabeça ainda permanecia rebaixada e um leve tremor atingiu seu coração, embora o semblante mantivesse a tranquilidade superficial, estagnando docilmente em seu lugar.

O olhar de Elias caiu sobre ele, não exatamente afiado, mas carregando um ar de escrutínio.

A iluminação era insuficiente para captar feições precisas, porém era visível aquela vigilância ocular o percorrer minuciosamente por duas vezes consecutivas.

“Levante a cabeça”, ordenou Elias em tom apático.

Os dedos de Gregório retraíram-se de forma leve. Num segundo, ergueu o rosto de forma devagar; sua pele ostentava aquela falsa encenação deliberada de timidez e inércia de quem teme trocar contato visual.

A evasiva nas pupilas e os ombros encolhidos personificavam perfeitamente o lacaio do submundo habituado a sofrer humilhações rotineiras naquele espaço.

Elias fixou as orbes em sua face durante dois segundos.

Grande parte de seu contorno encontrava-se afundado pelo capuz. Sendo a luminosidade precária, era possível notar apenas a rigidez dos traços do maxilar inferior; a identidade natural restava eclipsada.

“Você é novo aqui?”, inquiriu Elias.

“Sim senhor, faz poucos dias.”

Gregório esmagou a voz, tornando-a baixa e rouca, imitando um pouco do sotaque local. Não era perfeito, mas servia para enganar. “Não conheço muito bem o lugar, tenho medo de errar.”

A sua pronúncia foi fluida, os olhos conservavam o distanciamento da autoridade e o linguajar denotava submissão total.

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