Com um olhar pesado, ele percorreu os arredores.
Pouco tempo depois, alguns indivíduos emergiram do corredor oposto.
O homem que liderava o grupo tinha uma postura ereta e cabelos loiros inconfundíveis. Sua presença sob a luz sombria perdera a gentileza do dia, substituída por um aspecto muito mais frio e severo.
Era ele: Elias.
Ao seu lado, acompanhavam-no vários guarda-costas altos e com expressões ferozes, emanando uma tensão palpável, muito diferentes da imagem de cavalheiros que demonstravam durante o dia.
Elias caminhou até uma sala fechada no final da área, parou, olhou para os lados garantindo que ninguém o observava e bateu na porta levemente.
Uma voz grave respondeu de dentro, e a porta foi aberta em seguida.
Uma brisa gelada escapou rapidamente pela fresta.
Gregório manteve-se imóvel nas sombras, mas um ódio gélido transbordou de seus olhos.
Exatamente.
A ida de Elias ali não era, de forma alguma, para se divertir.
Ele foi para realizar um negócio.
Todo aquele discurso diurno de cooperação amigável, negócios legítimos, compartilhamento de tecnologia e paz eram uma mentira.
O seu verdadeiro propósito acontecia à noite, dentro daquele camarote, naquela transação que não podia ver a luz do dia.
E quanto a Sófia, a NexGen e aquele lote de supostos materiais...
Do início ao fim, foram apenas uma fachada.
Os dedos de Gregório fecharam-se devagar.
Um instinto assassino, frio como gelo, começou a se espalhar silenciosamente em seu coração.
Ele não se aproximou de imediato. Apenas esperou quieto no escuro, como o mais paciente dos caçadores.
A porta do camarote estava trancada, isolando completamente qualquer som.
O que diabos eles estavam negociando, com quem, e se isso tinha alguma ligação com Vicente...
Todas as respostas estavam muito próximas.
A luz no fim do corredor era opaca, a música soava abafada pelas pesadas portas e o ar cheirava a uma mistura de álcool, tabaco e perfumes baratos.
Gregório encolheu-se nas sombras da esquina, com a aba do capuz abaixada, mas os seus olhos irradiavam fúria focados naquela porta fechada.
Elias já havia entrado há alguns minutos, e nenhum som vazava do interior. Evidentemente, o ambiente tinha isolamento acústico profissional.
Forçar a entrada não daria certo, e continuar esperando apenas o faria perder informações essenciais.
Exatamente nesse instante, o som apressado de passos ecoou do outro lado do corredor.
Um garçom de cabeça baixa, vestindo um colete preto e carregando uma bandeja, caminhava rapidamente na direção dele.
Na bandeja, havia uísque, um balde de gelo, algumas garrafas de água mineral e um pequeno prato de nozes. Ficava óbvio que a entrega era para o camarote de Elias.
O olhar de Gregório escureceu e, em uma fração de segundo, ele tomou uma decisão.
Ele saiu calmamente das sombras, como se tivesse bloqueado o meio do corredor sem querer, numa postura despreocupada, mas que fechava perfeitamente a passagem.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...