"Entendido, Patrão! Usarei todos os contatos para investigar imediatamente, e assim que houver novidades, informarei o senhor!" Alonso falou com um tom pesado.
"Hum." Daniel respondeu friamente. "Não venha até aqui e não alarme ninguém. Quando tiver resultados, relate por telefone."
"Sim!"
A ligação foi encerrada.
A sala de consulta voltou a ficar silenciosa.
Renata estava em pé não muito longe, tendo escutado o nome "Vicente" claramente.
As pontas dos seus dedos se apertaram lentamente.
Afinal, aquelas trevas nunca haviam se afastado de verdade.
Afinal, o recomeço que ela pensava ter estava, nos bastidores, cheio de correntes ocultas.
Daniel baixou o celular lentamente, levantou os olhos e olhou para Renata novamente.
A luz era suave; ela estava ali, limpa, brilhante, envolta na aura de uma médica.
Enquanto ele estava coberto de sangue, cheio de cicatrizes, com as mãos sujas; até mesmo se aproximar dela parecia uma profanação.
O que ele devia a ela não era apenas a humilhação daquela noite.
Mas também a vida pacífica dela que foi destruída, e a vida que deveria ter sido completamente limpa e distante de todas as trevas.
-
A noite lá fora ficou mais profunda.
Na clínica, as luzes brilhavam, mas não conseguiam iluminar o passado pesado e as cicatrizes entre os dois.
Renata desviou o olhar, com a voz leve e indiferente: "Descanse."
"Vá embora daqui antes do amanhecer."
"De hoje em diante, você segue o seu caminho e eu sigo o meu, nós... não devemos nada um ao outro."
Daniel olhou para ela e ficou muito tempo sem falar.
-
Na manhã seguinte, bem cedo.
Renata acordou com o som muito suave da porta se fechando.
Ela não abriu os olhos imediatamente, deitada no sofá de descanso ao lado da sala de consulta, os seus cílios tremeram levemente.
Na noite passada, ela quase não fechou os olhos, cuidando daquele homem com a ferida profunda e os pensamentos ainda mais pesados, até que na segunda metade da madrugada conseguiu cochilar um pouco.
A presença de Daniel já havia desaparecido da sala.
Restava apenas o leve cheiro de desinfetante e um traço daquela aura fria dele que quase não se dissipava.
Ela se sentou lentamente, massageou as têmporas doloridas e o seu olhar instintivamente caiu no sofá onde ele se encostara na noite anterior.
A almofada estava lisa, sem rugas, como se aquela pessoa nunca tivesse estado lá.
A ferida na lateral da cintura, a respiração contida, o olhar profundo, o "obrigado" rouco no meio da noite... tudo parecia um sonho real demais.
Renata apertou os lábios suavemente, forçando-se a suprimir o inexplicável vazio no fundo dos seus olhos.
Foi bom ele ter ido.
Fim da história, sem envolvimento.
Ela se levantou, lavou-se rapidamente e olhou para si mesma no espelho com o rosto um pouco pálido, acariciando levemente o meio da testa com a ponta dos dedos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...