"Se doer, segure em alguma coisa." ela disse suavemente, entregando uma toalha limpa perto da mão dele.
Daniel não pegou, apenas deixou o seu olhar profundo cair sobre o rosto dela.
A luz caía sobre os seus cílios abaixados, projetando uma pequena e suave sombra.
A sua expressão era de concentração, os lábios levemente apertados, com uma seriedade que impedia qualquer um de desviar o olhar.
"Renata..." ele começou com a voz rouca.
"Não fale." ela o interrompeu, com a voz muito leve. "Distrair a atenção fará doer mais."
Ele realmente não falou mais, apenas a observou em silêncio.
A atmosfera tornou-se ambígua pouco a pouco.
Já não eram inimigos, já não eram figuras do passado entrelaçadas, já não eram o homem e a mulher que tiveram uma noite de humilhação.
Neste momento, havia apenas médica e paciente.
Apenas ela salvando com cuidado, e ele se rendendo de boa vontade.
Com a desinfecção concluída, Renata pegou a agulha de sutura e a linha absorvível.
"Vou costurar, pode doer mais do que antes." ela avisou, suavizando ainda mais a voz. "Se não conseguir suportar, pode agarrar o meu braço."
Daniel não se moveu, apenas disse em voz baixa: "Apenas faça o seu trabalho."
Renata não disse mais nada, prendeu a respiração e, segurando a agulha de sutura, perfurou com precisão a pele na borda da ferida.
A sensação sutil da ponta da agulha perfurando a pele e a carne, ela conhecia melhor do que ninguém; cada ponto era feito da forma mais leve, alinhada e indolor possível, para que a cicatriz no futuro fosse a mais imperceptível.
Os seus dedos estavam firmes, sem o menor tremor.
Mas apenas ela mesma sabia que o seu coração batia de forma irregular.
Daniel olhava fixamente para o rosto dela, o suor escorria pela linha da sua mandíbula, pingando no sofá e formando uma pequena mancha escura.
A dor era real, mas com o que ele mais se importava era a distância excessivamente curta entre ela e ele.
O perfume leve e limpo dela o envolvia.
A ponta dos dedos dela ocasionalmente roçava na pele intacta da lateral da cintura dele, provocando um tremor sutil.
A respiração dela era leve e quente, caindo sobre a sua pele, fazendo com que aquela dor fria parecesse ser coberta por ternura.
Os longos minutos pareceram um século.
Quando o último ponto foi amarrado e a linha cortada, Renata soltou um longo suspiro de alívio e uma fina camada de suor surgiu em sua testa.
Ela pegou uma gaze estéril, cobriu a ferida com cuidado e fixou suavemente com fita médica.
"Pronto." ela recolheu a mão, tirou as luvas levemente manchadas de sangue, e a sua voz soou um pouco rouca. "O sangramento parou temporariamente. Troque o curativo no horário certo, não faça exercícios intensos, não force a ferida, e em cerca de uma semana ela começará a cicatrizar."
Ela se levantou e se preparou para arrumar as coisas, mas o seu pulso foi subitamente agarrado por uma mão forte e ardente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...