Aquele era um acordo feito pelos mais velhos, um vínculo de aliança comercial e também a última camada de hesitação que o impediu, durante todo esse tempo, de destruir Gabriela completamente.
Porém, agora, aquela hesitação, no momento em que Gabriela a gritou com sua própria boca, se entrelaçou indissociavelmente com outra coisa.
Envenenamento.
Drogar a Renata.
Usando o método mais malicioso, mais asqueroso e destrutivo para arruinar a pessoa que ele guardava no fundo do coração e que protegeu durante uma década inteira.
Daniel ergueu lentamente os olhos, o frio em suas pupilas escuras aumentou vertiginosamente, e a pressão do ar ao seu redor estava tão baixa que se tornou sufocante.
Ele gentil, mas irresistivelmente, abriu os dedos de Gabriela, afastando a mão dela.
"O acordo das duas famílias, eu me lembro."
Ele falou, com a voz tão fria quanto o gelo, pausando a cada palavra:
"Mas sobre o fato de você ter drogado a Renata... eu também me lembro."
A palavra 'drogado' foi pronunciada por ele com extrema ênfase.
O rosto de Gabriela tornou-se repentinamente pálido, seu olhar evitou o dele com pânico e, instintivamente, ela tentou encobrir: "Eu... eu não fiz isso! Foi ela que me acusou falsamente! Foi a própria Renata quem..."
"Até agora, você ainda ousa mentir."
Daniel a interrompeu; em seu tom não havia raiva, apenas uma indiferença que se assemelhava a um silêncio mortal.
Aquele era um estado ainda mais aterrorizante do que a fúria.
Ele não olhou mais para Gabriela, virou-se, deu alguns passos e foi diretamente em direção aos dois policiais na porta.
Ao vê-mo se aproximar, os policiais assumiram uma expressão levemente solene.
Todos eles conheciam a posição, os contatos e a influência de Daniel naquela cidade.
Daniel parou, com o olhar calmo, mas trazendo consigo uma sensação de opressão inquestionável, e sua voz soou grave e clara:
"Senhores policiais, eu gostaria de confirmar quem foi que abriu a denúncia, qual é a natureza do caso e se as provas estão completas."
Os policiais trocaram olhares e responderam com sinceridade de acordo com os procedimentos:
"A denunciante foi a senhora Renata."
"A acusação alega que Gabriela é suspeita de usar drogas ilícitas de forma premeditada, com a intenção de causar danos físicos a terceiros e pôr a segurança pública em risco."
"No momento, temos os depoimentos de testemunhas, imagens de segurança do local, registros de transferência bancária e a confissão do garçom, a cadeia de provas é bastante sólida."
"Usar drogas ilícitas de forma premeditada."
Daniel repetiu aquelas palavras, cada uma caindo como uma pedra pesada em seu coração.
Ele fechou os olhos e respirou fundo.
No ar, parecia ainda restar a temperatura escaldante do corpo de Renata na noite passada. A forma como ela se esfregava contra ele atordoada, choramingando de desconforto, e segurando a manga de sua roupa de forma desamparada, sobrepunham-se freneticamente na sua mente com a malícia, a manipulação e a crueldade daquela Gabriela naquele momento.
Ele pensava que a sua tolerância para com Gabriela já havia chegado ao limite.
Ele pensava que expulsá-la e cortar laços já seria a cartada final.
Ele jamais imaginou que ela pudesse ficar tão louca a esse ponto...
Para ter a audácia de dar aquele tipo de droga para Renata em público, sob os olhares de todos.
A intenção era arruiná-la.
Era fazer com que ela perdesse toda a sua reputação.
Quando Daniel abriu os olhos novamente, todas as emoções em seu olhar haviam sido completamente suprimidas, restando apenas uma determinação gélida.
Ele virou o rosto ligeiramente, sem mais olhar para Gabriela, que estava caída no chão com uma expressão mórbida, e disse aos policiais com a voz grave:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...