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A Glória da Ex-Esposa romance Capítulo 1560

Aquele era um acordo feito pelos mais velhos, um vínculo de aliança comercial e também a última camada de hesitação que o impediu, durante todo esse tempo, de destruir Gabriela completamente.

Porém, agora, aquela hesitação, no momento em que Gabriela a gritou com sua própria boca, se entrelaçou indissociavelmente com outra coisa.

Envenenamento.

Drogar a Renata.

Usando o método mais malicioso, mais asqueroso e destrutivo para arruinar a pessoa que ele guardava no fundo do coração e que protegeu durante uma década inteira.

Daniel ergueu lentamente os olhos, o frio em suas pupilas escuras aumentou vertiginosamente, e a pressão do ar ao seu redor estava tão baixa que se tornou sufocante.

Ele gentil, mas irresistivelmente, abriu os dedos de Gabriela, afastando a mão dela.

"O acordo das duas famílias, eu me lembro."

Ele falou, com a voz tão fria quanto o gelo, pausando a cada palavra:

"Mas sobre o fato de você ter drogado a Renata... eu também me lembro."

A palavra 'drogado' foi pronunciada por ele com extrema ênfase.

O rosto de Gabriela tornou-se repentinamente pálido, seu olhar evitou o dele com pânico e, instintivamente, ela tentou encobrir: "Eu... eu não fiz isso! Foi ela que me acusou falsamente! Foi a própria Renata quem..."

"Até agora, você ainda ousa mentir."

Daniel a interrompeu; em seu tom não havia raiva, apenas uma indiferença que se assemelhava a um silêncio mortal.

Aquele era um estado ainda mais aterrorizante do que a fúria.

Ele não olhou mais para Gabriela, virou-se, deu alguns passos e foi diretamente em direção aos dois policiais na porta.

Ao vê-mo se aproximar, os policiais assumiram uma expressão levemente solene.

Todos eles conheciam a posição, os contatos e a influência de Daniel naquela cidade.

Daniel parou, com o olhar calmo, mas trazendo consigo uma sensação de opressão inquestionável, e sua voz soou grave e clara:

"Senhores policiais, eu gostaria de confirmar quem foi que abriu a denúncia, qual é a natureza do caso e se as provas estão completas."

Os policiais trocaram olhares e responderam com sinceridade de acordo com os procedimentos:

"A denunciante foi a senhora Renata."

"A acusação alega que Gabriela é suspeita de usar drogas ilícitas de forma premeditada, com a intenção de causar danos físicos a terceiros e pôr a segurança pública em risco."

"No momento, temos os depoimentos de testemunhas, imagens de segurança do local, registros de transferência bancária e a confissão do garçom, a cadeia de provas é bastante sólida."

"Usar drogas ilícitas de forma premeditada."

Daniel repetiu aquelas palavras, cada uma caindo como uma pedra pesada em seu coração.

Ele fechou os olhos e respirou fundo.

No ar, parecia ainda restar a temperatura escaldante do corpo de Renata na noite passada. A forma como ela se esfregava contra ele atordoada, choramingando de desconforto, e segurando a manga de sua roupa de forma desamparada, sobrepunham-se freneticamente na sua mente com a malícia, a manipulação e a crueldade daquela Gabriela naquele momento.

Ele pensava que a sua tolerância para com Gabriela já havia chegado ao limite.

Ele pensava que expulsá-la e cortar laços já seria a cartada final.

Ele jamais imaginou que ela pudesse ficar tão louca a esse ponto...

Para ter a audácia de dar aquele tipo de droga para Renata em público, sob os olhares de todos.

A intenção era arruiná-la.

Era fazer com que ela perdesse toda a sua reputação.

Quando Daniel abriu os olhos novamente, todas as emoções em seu olhar haviam sido completamente suprimidas, restando apenas uma determinação gélida.

Ele virou o rosto ligeiramente, sem mais olhar para Gabriela, que estava caída no chão com uma expressão mórbida, e disse aos policiais com a voz grave:

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