O corpo fervente agarrou-se firmemente a ele, como a de um gatinho suplicando frescor. Com uma voz baixa, de lamento, e chorosa de desconforto:
"Muito quente..."
"Tão desconfortável..."
Ela se pendurou nele por inteiro, o rosto esfregando no pescoço dele, a respiração quente soprando sobre a pele dele.
O corpo de Daniel congelou, e ele ficou atordoado por inteiro.
Mas no segundo seguinte, Renata pareceu ter recobrado um pouco a consciência. Percebendo o que estava fazendo, ela o empurrou com força de repente, com os olhos vermelhos, cheia de resistência e mágoa.
"Vá embora..."
"Não chegue perto de mim..."
"Eu não quero te ver... vá embora..."
Ora ela se encostava nele, ora o afastava. Ela estava toda contraditória e confusa, perdendo completamente a frieza e calma de sempre.
Daniel observou o rosto ruborizado dela, o olhar enevoado, a temperatura fervente e aquela reação completamente anormal. O rosto dele escureceu pouco a pouco, ficando assustador.
Nesse aspecto, ele não tinha pouca experiência.
Bastou um olhar para perceber——
Ela havia sido drogada.
E do tipo de droga mais venenoso e sujo.
Uma fúria extremamente fria disparou da sola de seus pés diretamente até o topo de sua cabeça no mesmo instante.
Quem foi?
Quem ousaria fazer isso com ela?
Foi Gabriela? Ou os homens de Vicente?
Usar métodos tão baixos para machucar a pessoa que ele protegia a todo custo.
Daniel tremia de raiva, os dedos cerrados com tanta força que os nós das mãos ficaram brancos. Intenções assassinas transbordavam de seus olhos.
Mas, ao ver Renata tão mal que parecia prestes a chorar, ele forçou-se a reprimir toda a sua fúria. Não era o momento para procurar os culpados; primeiro precisava salvá-la.
"Não faça confusão." Sua voz soava grave e rouca, mas incrivelmente firme. "Vou te levar para dentro."
Ignorando os empurrões dela, ele a pegou no colo com muito cuidado.
Renata, fraca por inteiro, simplesmente não tinha forças para lutar contra ele, deixando-se ser carregada. Seu pequeno rosto enterrou-se no peito dele, choramingando de desconforto.
Daniel abriu a porta com um chute — que já se encontrava entreaberta —, e andou rapidamente em direção à sala, pousando-a delicadamente no sofá.
No momento em que ela saiu do abraço dele, contorceu-se inquieta, tentou puxar algo com as mãos, mas não encontrou nada. Então ela teve de ficar deitada encolhida no sofá, gemendo de pura dor.
O coração de Daniel despedaçou-se ao ver aquilo.
Não ousando hesitar nem por um segundo, ele tirou logo seu celular, discando o número para contatar um médico particular.
Após atender o telefone, ele falou rapidamente sob um tom frio e duro:
"Venha para o endereço que acabei de lhe enviar, agora mesmo. Traga injeções e remédios para neutralizar drogas estimulantes potentes, rápido!"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...